O governo do presidente Donald Trump acompanha a investigação aberta pelo ministro Alexandre de Moraes contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida após a publicação de uma reportagem envolvendo o ministro Flávio Dino. A informação foi divulgada pela coluna de Paulo Cappelli, no Correio da Manhã, nesta sexta-feira, 8.

Segundo a publicação, integrantes do governo norte-americano avaliam se as medidas adotadas por Moraes podem configurar violação à liberdade de expressão e tentativa de intimidação da imprensa. Paralelamente, Washington também estuda a possibilidade de retomar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal.
O caso envolve uma reportagem publicada pelo blogueiro Luís Pablo, na qual ele relata o suposto uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino. Após a divulgação do conteúdo, Alexandre de Moraes identificou indícios de crime de perseguição e determinou uma operação da Polícia Federal na residência do comunicador, realizada em março deste ano.
Durante a ação, a PF apreendeu dois celulares, um computador MacBook e um HD externo. Posteriormente, Moraes autorizou a devolução dos equipamentos após a extração dos dados.
De acordo com fontes ouvidas pela coluna, autoridades norte-americanas consideram legítima a responsabilização judicial de jornalistas em casos específicos, inclusive com condenações financeiras. Entretanto, a abertura de inquérito por suposto crime de perseguição e a realização de busca e apreensão contra um jornalista chamaram a atenção da Casa Branca.
Ainda segundo a reportagem, o episódio poderá ser incorporado a outras denúncias de supostos abusos atribuídos a Moraes analisadas pelo governo dos Estados Unidos. Apesar disso, integrantes da administração Trump não trabalham com prazo definido para eventual retomada de sanções com base na Lei Magnitsky.
Na decisão, Moraes sustentou que o jornalista teria atentado “contra a liberdade individual e pessoal de ministro do Supremo Tribunal Federal”, utilizando informações sensíveis e promovendo “monitoramento, vigilância e acompanhamento” de veículo usado por Flávio Dino.
Já Luís Pablo afirma que a operação teve como objetivo identificar a fonte das informações utilizadas na reportagem publicada sobre o ministro do STF.
