A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Assembleia Legislativa do Maranhão para apurar denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a estrutura da Vice-Governadoria do Estado já iniciou a fase de coleta de informações junto a órgãos de investigação e controle. O detalhamento dos primeiros encaminhamentos foi feito pelo deputado estadual Ricardo Arruda (MDB), durante entrevista ao programa “Diário da Manhã”, da Rádio Assembleia FM.

Segundo o parlamentar, a comissão decidiu aproveitar o material já produzido por órgãos que conduzem investigações sobre o caso, evitando começar os trabalhos do zero. “Essa CPI já avançou, no sentido de solicitar aos órgãos de investigação, no caso a Procuradoria-Geral de Justiça, e ao Poder Judiciário, as informações que já estão disponíveis. Porque se já tem uma apuração que já está bastante avançada não faz sentido a CPI começar do zero”, afirmou.
De acordo com Ricardo Arruda, a CPI encaminhou ofícios ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e à presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), solicitando cópias integrais das investigações e denúncias relacionadas à Vice-Governadoria. Também foram enviados expedientes ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O deputado informou que a comissão pretende atuar paralelamente às investigações já em andamento. “Queremos saber do Coaf informações fiscais dos supostos envolvidos, já que eles constam da representação e esta foi tornada pública pela imprensa”, declarou.
A CPI foi instalada após aprovação do Requerimento nº 086/2026, apresentado pelo deputado estadual Dr. Yglésio (PRD). O pedido tem como base indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas, com supostos repasses de recursos a terceiros e pessoas ligadas ao vice-governador Felipe Camarão (PT), além da possível utilização de servidores públicos e da estrutura administrativa da Vice-Governadoria e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), pasta anteriormente comandada pelo vice-governador.
Segundo Ricardo Arruda, também foi levado em consideração o Procedimento Investigatório Criminal nº 025065-750/2025, instaurado pelo Ministério Público do Maranhão e atualmente em tramitação no Tribunal de Justiça do Maranhão. O procedimento reúne relatórios de inteligência financeira elaborados pelo Coaf e outros elementos colhidos durante diligências investigatórias.
Ainda conforme o parlamentar, os documentos apontariam, em tese, indícios relacionados à possível prática de lavagem de capitais e outros crimes contra a administração pública. O contexto investigativo envolveria diretamente Felipe Camarão e outros possíveis participantes que ainda deverão ser apurados pela comissão.
A CPI terá prazo inicial de 120 dias para conclusão dos trabalhos, podendo ser prorrogado por até metade desse período mediante aprovação do plenário da Assembleia Legislativa. Ao final das investigações, será elaborado um relatório circunstanciado que poderá resultar em indiciamentos e no encaminhamento das conclusões ao Ministério Público para eventual ajuizamento de ações.
A comissão é presidida pela deputada estadual Ana do Gás (Republicanos). Também integram o colegiado os deputados Rodrigo Lago (PSB), Aluízio Santos (PL), Mical Damasceno (Republicanos), Adelmo Soares (Republicanos) e o próprio Ricardo Arruda.
