A intenção de consumo para o Dia das Mães em São Luís apresentou crescimento significativo em 2026, indicando um cenário mais favorável para o comércio local.
Levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) aponta que 57,5% da população da capital pretende comprar presentes, o que representa cerca de 455 mil consumidores.

O dado que mais chama atenção é a expansão do número de compradores. Em comparação com o ano anterior, houve um aumento de 33,7% na intenção de consumo, sinalizando uma recuperação do varejo ludovicense após um período de retração. Mesmo diante de limitações econômicas, a disposição para celebrar a data se mostrou mais forte.
Ao contrário de outros anos, o crescimento não está ligado ao aumento do valor gasto por consumidor, mas sim à maior participação da população nas compras. O tíquete médio permaneceu praticamente estável, passando de R$ 291 para R$ 294, o que evidencia um comportamento mais cauteloso, com controle financeiro, mas sem abrir mão da comemoração.
A maioria dos consumidores (75,4%) deve adquirir apenas um presente, enquanto 47% planejam gastar entre R$ 201 e R$ 250. Esse perfil reforça a tendência de compras mais objetivas e ajustadas ao orçamento familiar.
No que diz respeito aos locais de compra, o cenário se tornou mais equilibrado. As lojas de rua lideram com 32,8% da preferência, seguidas de perto pelos shopping centers (32,3%) e pelo Centro Comercial, incluindo a Rua Grande (31,9%).
Após queda no ano passado, a Rua Grande volta a ganhar relevância, demonstrando recuperação e maior circulação de consumidores. Já o comércio eletrônico segue com participação reduzida, com apenas 4,7%, indicando a preferência pela experiência presencial nessa data.
Para os empresários, o momento é visto como oportunidade de impulsionar as vendas e fortalecer o caixa. A estratégia passa por atrair consumidores ainda indecisos, que representam 15,2% da população, cerca de 120 mil pessoas. Caso esse público seja convertido, o impacto econômico pode ultrapassar R$ 4 milhões adicionais, elevando o faturamento total para mais de R$ 164 milhões.
Entre os produtos mais procurados, itens ligados ao bem-estar lideram a preferência. Perfumaria e cosméticos aparecem com 25,8%, seguidos por vestuário e acessórios (22,3%) e joias ou bijuterias (17,5%). Em contrapartida, produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, perderam espaço, reflexo do crédito mais caro, com a taxa Selic em 14,75% ao ano.
O perfil de consumo também varia entre gêneros: homens tendem a optar por itens mais utilitários, como roupas e eletroportáteis, enquanto mulheres priorizam presentes simbólicos, como perfumes e acessórios. Em relação ao pagamento, prevalece a cautela: 48,4% das compras devem ser realizadas à vista, por meio de dinheiro ou PIX, enquanto o uso do cartão de crédito corresponde a 42,7%, com parcelamentos mais curtos.
Apesar do cenário positivo, alguns fatores ainda impõem desafios. A inflação registrada em março, de 1,39% em São Luís, aliada ao alto nível de endividamento das famílias (78,8%) e à inadimplência (28,8%), pode limitar um crescimento mais expressivo do consumo.
A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 20 de abril de 2026, com a aplicação de 710 questionários em diferentes pontos da cidade. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
