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O aumento da presença do caramujo africano em bairros de São Luís tem chamado a atenção de moradores, principalmente após os períodos de chuva.

 

O animal, que pode ultrapassar 10 centímetros de comprimento, possui concha alongada em tons amarronzados com listras escuras e costuma surgir em grande quantidade em muros, calçadas, quintais e áreas com vegetação.

Conhecido cientificamente como Achatina fulica, o molusco é considerado uma ameaça à saúde pública por poder atuar como vetor de doenças graves, entre elas a meningite eosinofílica.

Além disso, o animal se alimenta de plantas e resíduos orgânicos e deixa um rastro de muco viscoso por onde passa.

A meningite eosinofílica é causada por parasitas que podem estar presentes no muco liberado pelo caramujo africano. A doença provoca inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal e pode apresentar sintomas como fortes dores de cabeça, febre, náuseas, rigidez na nuca e complicações neurológicas em casos mais severos.

O biólogo, sanitarista, mestre em Ciências da Saúde e professor do IDOMED São Luís, Bismarck Ascar Sauaia, explica que o período chuvoso contribui diretamente para o aumento da infestação. “Ele tem grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes, e existe uma relação forte entre o aumento da infestação e o período chuvoso”, explica.

Segundo o especialista, além da meningite eosinofílica, os riscos também envolvem o contato direto com o muco do animal, especialmente em situações de contaminação de alimentos consumidos sem higienização adequada.

“O problema maior está no consumo de alimentos sem higienização adequada, especialmente quando contaminados pelo muco do caramujo”, alerta.

A recomendação é evitar tocar nos animais sem proteção. Caso seja necessário recolher os caramujos, o ideal é utilizar luvas ou sacos plásticos nas mãos e manter os pés protegidos com sapatos fechados.

Quando encontrados mortos, os animais devem ser colocados em sacos plásticos e enterrados entre 30 e 40 centímetros de profundidade, longe de fontes de água.

Especialistas também não recomendam o uso de venenos domésticos, devido ao risco de contaminação ambiental. O uso de sal exige cautela, já que a substância provoca rápida desidratação do animal e aumenta a liberação de muco.

“A cal virgem é mais segura nesse contexto, porque atua diretamente no corpo do animal, mas sem tantos riscos”, explica Bismarck.

Para conter a proliferação do caramujo africano, medidas simples podem ajudar, como manter quintais limpos, evitar acúmulo de lixo e reforçar a higienização de frutas, verduras e legumes antes do consumo.

“Medidas como manter quintais limpos, evitar acúmulo de lixo e reforçar a higienização de alimentos são essenciais para reduzir os riscos e conter a proliferação”, conclui.



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