Um dos alvos centrais da operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (1º) é o ex-assessor do Tribunal de Justiça do Maranhão, Lúcio Fernando Penha Ferreira, que passou a ser conhecido nos bastidores como o “assessor ostentação”.

O apelido ganhou força entre investigadores e pessoas próximas ao caso devido ao padrão de vida elevado que ele mantinha. Conforme apurado, o ex-assessor chamava atenção pelo uso de itens de alto valor, como veículos de luxo, relógios caros e a compra de um imóvel considerado milionário — sinais que destoavam da renda formal do cargo que ocupava.
De acordo com as investigações, Lúcio Fernando exercia uma função estratégica dentro do suposto esquema criminoso, atuando como peça de ligação entre interessados em decisões judiciais e integrantes do Judiciário. A Polícia Federal aponta que ele participava diretamente da articulação de negociações que envolviam a suposta comercialização de sentenças.
Um dos episódios investigados envolve um acordo para favorecer uma das partes em um processo mediante pagamento de R$ 250 mil. Desse total, cerca de R$ 150 mil teriam sido entregues em espécie, com o próprio ex-assessor responsável por recolher o dinheiro. O restante, segundo as apurações, teria sido dividido entre outros envolvidos.
As investigações indicam que o grupo operava de forma estruturada e contínua. O primeiro passo consistia na identificação de processos de grande interesse financeiro, muitos deles relacionados a disputas de terras. Em seguida, intermediários — como assessores e advogados — fariam a ponte entre as partes e membros do Judiciário.
Com o acerto financeiro, havia, segundo a apuração, interferência no andamento processual, incluindo priorização de julgamentos e direcionamento de decisões. Também foram encontrados indícios de mecanismos para ocultar a origem dos recursos, como movimentações financeiras trianguladas.
Mesmo após o afastamento de alguns suspeitos, a investigação aponta que o esquema teria continuado em funcionamento, com a entrada de novos integrantes, o que reforça a suspeita de atuação organizada e persistente dentro do sistema.
