A prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos Estados Unidos abre um novo capítulo na investigação sobre a suposta tentativa de golpe no Brasil e deve acelerar o processo de extradição conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

O ex-parlamentar foi detido nesta segunda-feira, 13, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida, conforme confirmou a Polícia Federal. Considerado foragido da Justiça brasileira, Ramagem estava em situação migratória irregular no país e havia deixado o Brasil de forma clandestina, segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e aliado próximo da família Bolsonaro, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e um mês de prisão, além da perda do mandato parlamentar, por participação na suposta tentativa de ruptura institucional. A decisão foi proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, que também determinou, ainda em dezembro, a abertura do processo de extradição.
De acordo com as investigações, Ramagem deixou o território brasileiro atravessando a fronteira com a Guiana e passou a residir nos Estados Unidos desde o ano passado. Em setembro, teria se instalado em um condomínio de alto padrão na Flórida. Mesmo fora do país, ele chegou a participar de sessões da Câmara de forma remota, amparado por um atestado médico.
A condenação definitiva do chamado núcleo central da trama golpista foi assinada por Moraes em 25 de novembro. O processo inclui crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro, como dano qualificado com violência, prejuízo ao patrimônio da União e destruição de bens tombados.
Na época, parte do julgamento havia sido suspensa pela Câmara dos Deputados, já que Ramagem ainda exercia mandato. Com a cassação confirmada pela Mesa Diretora, o STF retomou a análise dos crimes pendentes, abrindo caminho para o avanço das medidas judiciais, incluindo o pedido de extradição.
Além da cassação, a Câmara também determinou o cancelamento do passaporte diplomático de Ramagem e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que também está nos Estados Unidos.
A prisão em solo americano pode facilitar a tramitação do processo de extradição, que depende da análise das autoridades dos Estados Unidos. Até o momento, não há prazo definido para a eventual transferência de Ramagem ao Brasil.
