A montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista passaram a integrar o cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A inclusão ocorre após a conclusão de processos administrativos, quando não há mais possibilidade de recurso contra as autuações.

Cantor Amado Batista e BYD na lista do MTE

No caso da BYD, a decisão tem relação com fiscalização realizada nas obras da fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia, onde 163 trabalhadores chineses foram resgatados em condições consideradas degradantes. De acordo com auditores fiscais do trabalho, os empregados eram submetidos a jornadas exaustivas, sem folgas regulares, e viviam em alojamentos precários, com camas sem colchões, ausência de armários e número insuficiente de banheiros — em um dos casos, apenas um sanitário para 31 pessoas. Também foram identificados indícios de irregularidades nos documentos apresentados às autoridades migratórias, o que teria possibilitado a entrada ilegal de trabalhadores no país. Até o momento, a empresa não se manifestou publicamente.

Já o cantor Amado Batista foi incluído na lista por supostamente submeter 14 trabalhadores a condições análogas à escravidão em propriedades rurais localizadas em Goiás. Em nota, a assessoria do artista contestou as informações, afirmando que não houve resgate de trabalhadores e que todos seguem em atividade normal. Segundo a equipe, foram identificadas irregularidades pontuais na contratação de quatro funcionários vinculados a uma empresa terceirizada, e medidas já estariam sendo adotadas para sanar a situação.

A inclusão no cadastro não implica bloqueios financeiros automáticos, mas pode trazer impactos significativos, especialmente no acesso a crédito e financiamentos, uma vez que a lista é utilizada por instituições financeiras e empresas como critério de análise de risco. O instrumento é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das principais ferramentas globais no combate ao trabalho escravo contemporâneo.

Em janeiro, a BYD e empresas terceirizadas responsáveis pelas obras da unidade na Bahia firmaram um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho (MPT). O valor será destinado ao pagamento de indenizações aos trabalhadores resgatados e a um fundo voltado à reparação por danos morais coletivos. Apesar disso, o acordo não impede a permanência da empresa na “lista suja”, que segue critérios próprios definidos pelo MTE.


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