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Preso na Operação Sem Desconto, o empresário Maurício Camisotti firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal e confessou ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão por meio de um esquema fraudulento envolvendo aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o depoimento, os recursos eram operados a partir de três entidades associativas criadas com o objetivo de aplicar descontos indevidos em benefícios previdenciários.

De acordo com as investigações, Camisotti controlava a AMBEC (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), o CEBAP (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas) e a UNSBRAS (União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil). As entidades seriam utilizadas para formalizar cobranças associativas não autorizadas diretamente nos contracheques de beneficiários, prática que gerou prejuízos bilionários.

Na delação, o empresário afirmou que três parlamentares tiveram papel relevante para dar sustentação política ao esquema. Foram citados o senador Weverton Rocha e os deputados federais Euclydes Pettersen e Maria Gorete Pereira. Segundo Camisotti, o apoio político era essencial para garantir acesso a estruturas dentro do INSS e facilitar a indicação de pessoas ligadas ao grupo.

A Polícia Federal já havia identificado indícios de pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes políticos. As apurações apontam repasses mensais que giravam em torno de R$ 50 mil a pelo menos 15 parlamentares de diferentes partidos, em troca de influência sobre decisões internas do órgão previdenciário.

Com o avanço das investigações, a expectativa é de que o acordo firmado por Camisotti estimule outros envolvidos a buscar delações premiadas. Quatro investigados já iniciaram negociações com a PF: o ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira, preso sob suspeita de recebimento de propina; a médica Thaísa Hoffmann, apontada como operadora financeira; o ex-diretor de benefícios André Fidelis; e o advogado Eric Fidelis.

Thaísa Hoffmann chegou a ser convocada para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, mas optou por permanecer em silêncio, amparada por decisão do Supremo Tribunal Federal. As investigações indicam que ela teria movimentado ao menos R$ 18 milhões como parte do esquema.

A delação de Camisotti aguarda homologação no Supremo Tribunal Federal e deve ser analisada pelo ministro André Mendonça nos próximos dias. O magistrado já solicitou informações adicionais à Polícia Federal, incluindo a verificação sobre a veracidade das declarações prestadas. Em troca da colaboração, o empresário pediu o benefício de prisão domiciliar, que também será avaliado pela Corte.

Apontado como líder do grupo, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, ainda não demonstrou interesse em firmar acordo de delação. Investigadores, no entanto, avaliam que o avanço das apurações e os novos depoimentos podem pressioná-lo a colaborar.

O esquema sob investigação teria desviado mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas em todo o país, por meio de descontos associativos realizados sem autorização dos beneficiários. As apurações seguem em andamento.



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