O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (12) que o fim da guerra no Oriente Médio depende do cumprimento de três condições impostas por Teerã.

É a primeira vez que uma autoridade iraniana menciona publicamente uma possibilidade de encerramento do conflito, mesmo com os ataques ao Golfo Pérsico em andamento e o novo líder supremo, Motjaba Khamenei, ameaçando alvos dos Estados Unidos.

Segundo Pezeshkian, o Irã só interromperá as ações militares se houver:

  1. Reconhecimento dos “direitos legítimos” do país;
  2. Pagamento de reparações pelas destruições causadas por ataques de EUA e Israel;
  3. Garantias internacionais que impeçam novas agressões.

Em postagem nas redes sociais, o presidente iraniano reforçou que estas medidas representam “o único caminho” para encerrar o conflito com Washington e Tel Aviv.

Ele afirmou ainda ter discutido o tema com o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro do Paquistão, reafirmando o compromisso do Irã com a paz regional, mas responsabilizando os adversários pela escalada militar.

“A única maneira de pôr fim a esta guerra — instigada pelo regime sionista e pelos EUA — é reconhecer os direitos legítimos do Irã, pagar reparações e oferecer firmes garantias internacionais contra futuras agressões”, declarou Pezeshkian.

Na quinta-feira (12), o recém-nomeado líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, em seu primeiro pronunciamento oficial, anunciou ataques a bases americanas no Oriente Médio.

Segundo a declaração, todas as instalações militares dos EUA na região devem ser “fechadas imediatamente” e serão alvo de ofensivas do Irã.

Khamenei afirmou que as ações visam apenas alvos militares e que a ofensiva continuará por ser “inevitável”, destacando a proximidade e “amizade” do Irã com os países vizinhos que não são alvos dos ataques.

Conflito e escalada militar

O atual conflito começou no fim de fevereiro, após ataques de EUA e Israel a alvos estratégicos no Irã, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de membros da cúpula militar iraniana. Desde então, Teerã tem retaliado com ataques a bases americanas, posições israelenses e ameaças a embarcações no Golfo Pérsico — uma rota estratégica para cerca de 20% do petróleo mundial.

Enquanto o Irã mantém retaliações, Estados Unidos e Israel continuam operações contra infraestrutura militar iraniana. O presidente Donald Trump afirmou que a guerra estaria “praticamente encerrada”, mas as tensões persistem. Israel, por sua vez, garantiu que manterá a ofensiva enquanto houver objetivos militares a cumprir, segundo o ministro da Defesa, Israel Katz.

Repercussão na Copa do Mundo 2026

O conflito também atingiu o futebol: o Ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, anunciou que o país não participará da Copa do Mundo de 2026, sediada por EUA, Canadá e México. Ele culpou os Estados Unidos pelo assassinato de Ali Khamenei e classificou a participação como impossível por razões de segurança.

Em resposta, Trump afirmou nas redes sociais que os iranianos seriam bem-vindos, mas que não seria seguro para eles estarem no torneio.

O Irã se classificou para o Mundial como líder do Grupo A nas Eliminatórias da Ásia e está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com dois jogos na cidade de Los Angeles e um em Seattle. Caso a equipe renuncie oficialmente, a FIFA decidirá o substituto, com multas previstas para desistência que podem chegar a R$ 3,2 milhões, além de reembolsos de custos de preparação.


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