O aiatolá Alireza Arafi foi escolhido nesta segunda-feira como líder supremo interino do Irã. A decisão ocorre um dia após a morte de Ali Khamenei durante ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel, segundo informações divulgadas por agências internacionais e pela imprensa iraniana.

Arafi passa a chefiar o chamado Conselho de Liderança, órgão provisório responsável por conduzir o processo de escolha do novo líder supremo. Ele foi nomeado como membro jurista do conselho temporário, que exercerá as funções atribuídas ao posto máximo do país até que a Assembleia dos Peritos eleja oficialmente o sucessor.
O conselho interino também conta com o presidente Masoud Pezeshkian e com o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. A formação do grupo foi definida por membros do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, instância que media conflitos institucionais e atua como órgão consultivo de alta influência no sistema político iraniano.
Especialistas avaliam que a criação imediata de um conselho provisório demonstra tentativa de manter estabilidade institucional em meio à crise. Segundo analistas, a rápida mobilização indica que o Estado iraniano busca sinalizar continuidade política e controle interno diante do cenário de tensão.
Entre os nomes apontados como possíveis sucessores estão Mojtava Khamenei, filho de Khamenei, e Hassan Khomeini, neto de Ruhollah Khomeini. Até o momento, no entanto, não há confirmação oficial sobre candidatos favoritos.
Além da morte de Khamenei, os ataques também teriam vitimado integrantes do alto escalão do governo iraniano, incluindo Ali Shamkhani, Mohammad Pakpour e Amir Nasirzadeh.
Como funciona o sistema de poder no Irã
O líder supremo ocupa o posto mais alto da hierarquia política e militar do país, com autoridade sobre as Forças Armadas, o Judiciário e a política externa, além de influência direta em diversos órgãos estratégicos. O cargo é vitalício e a escolha cabe à Assembleia dos Peritos, composta por 88 clérigos eleitos por voto direto para mandatos de oito anos.
O sistema político iraniano combina instituições eleitas, como a Presidência e o Parlamento, com órgãos não eleitos de forte poder, como o Conselho dos Guardiões, responsável por avaliar leis e candidaturas, e a Guarda Revolucionária do Irã, força militar criada após a Revolução Islâmica de 1979 e que exerce influência significativa nas áreas política e econômica.
A escolha definitiva do novo líder supremo deve ocorrer nos próximos dias ou semanas, em um processo considerado decisivo para os rumos políticos e estratégicos do país.
