A greve dos trabalhadores do transporte coletivo urbano da Grande São Luís entrou no quarto dia nesta segunda-feira (16), sem previsão de acordo entre rodoviários e empresários do setor. A paralisação, iniciada na última sexta-feira (13), continua afetando grande parte das linhas de ônibus da capital maranhense e provocando dificuldades para milhares de passageiros que dependem do transporte público.

O movimento foi deflagrado pela categoria após o não pagamento do reajuste salarial acordado anteriormente e também determinado pela Justiça do Trabalho. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), nenhum trabalhador recebeu os salários com o aumento previsto, o que levou à decisão de iniciar a paralisação.
Desde o início da greve, grande parte dos ônibus do sistema urbano deixou de circular em São Luís. Enquanto isso, os veículos do sistema semiurbano — que atendem bairros de municípios da Região Metropolitana, como Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar — continuam operando normalmente, mas sem acessar os terminais de integração da capital.
De acordo com o presidente do Sttrema, Marcelo Brito, até o domingo (15) não havia sido realizado nenhum contato oficial para discutir o fim da paralisação. Segundo ele, também não há reuniões agendadas entre representantes da categoria, empresários e o poder público, o que mantém o impasse.
O sindicato afirma que cerca de 4,5 mil a 5 mil profissionais trabalham atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.
Prefeitura diz que repasses estão em dia
A Prefeitura de São Luís informou que mantém os repasses financeiros ao sistema de transporte coletivo em dia e que não houve atraso ou redução nos subsídios pagos às empresas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), a paralisação ocorreu porque as empresas não teriam cumprido uma decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a aplicação do reajuste salarial e a concessão de benefícios aos rodoviários.
A pasta afirma ainda que acompanha a situação e busca medidas para garantir a retomada do serviço e reduzir os impactos para a população.
Empresas apontam congelamento do subsídio
Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) sustenta que o valor do subsídio pago pela Prefeitura permanece congelado desde janeiro de 2024, mesmo com o aumento dos custos operacionais.
Segundo o sindicato patronal, nesse período foram concedidos dois reajustes salariais aos rodoviários, além da elevação no preço do diesel e de outros insumos necessários para a operação do sistema.
As empresas afirmam que o congelamento do subsídio municipal agravou a crise financeira do transporte coletivo na capital.
Ministério Público investiga sistema
O Ministério Público do Maranhão, por meio da 2ª Promotoria de Defesa do Consumidor, realiza nesta segunda-feira (16) duas reuniões para tentar avançar nas negociações que envolvem a greve dos rodoviários em São Luís. Os encontros serão conduzidos pela promotora Lítia Cavalcante e têm como objetivo buscar uma solução para o impasse entre trabalhadores, empresas e poder público.
A primeira reunião, marcada para as 10h, discutirá o funcionamento do sistema semiurbano, com participação da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET). Já o segundo encontro, às 14h, tratará da situação do transporte urbano, reunindo representantes dos rodoviários, das empresas e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).
Segundo a promotora, a prioridade é buscar uma solução negociada para reduzir os impactos da paralisação, que já chega ao quarto dia e tem afetado diretamente a rotina de milhares de usuários do transporte coletivo da capital.
Um inquérito do MPMA já apura paralisações recorrentes, problemas estruturais, condições da frota e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema. Entre os alvos da apuração estão o Município de São Luís, o SET, os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor.
Como parte das diligências iniciais, o MP solicitou à SMTT e ao SET documentos com informações sobre linhas em funcionamento, itinerários, empresas concessionárias, frotas, planilhas de custos e valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026, além de dados sobre a incorporação de novos ônibus ao sistema.
Histórico de paralisações
Esta é a segunda greve de rodoviários registrada em menos de três meses na capital maranhense. A última paralisação havia sido encerrada no dia 6 de janeiro, após oito dias sem circulação de ônibus, quando um acordo intermediado pelo Ministério Público garantiu o pagamento de salários atrasados aos trabalhadores.
Nos últimos seis anos, São Luís já registrou pelo menos dez paralisações no transporte coletivo. A mais longa ocorreu em 2022, quando a greve durou 43 dias e provocou forte impacto na mobilidade urbana da cidade.






