A paralisação dos trabalhadores do transporte coletivo urbano de São Luís chegou ao segundo dia neste sábado (14) sem previsão de retomada do serviço. A greve ocorre em meio a um impasse envolvendo o pagamento do reajuste salarial da categoria.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), os profissionais decidiram interromper as atividades após as empresas deixarem de aplicar o aumento salarial determinado pela Justiça do Trabalho.
Com a paralisação do sistema urbano, apenas os ônibus do sistema semiurbano continuam circulando na região metropolitana da capital. Esses coletivos atendem bairros localizados em municípios próximos, como Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar.
Mesmo assim, esses veículos não entram nos terminais de integração de São Luís. Por isso, os passageiros precisam aguardar os ônibus do lado de fora dos terminais, o que tem provocado longas filas, maior tempo de espera e gastos extras com deslocamento.
Motivo da paralisação
Segundo o sindicato da categoria, a greve foi motivada pelo descumprimento do reajuste salarial definido após a última paralisação do setor, realizada no início do ano.
Na ocasião, a Justiça determinou um aumento de 5,5% para os rodoviários. Com isso, o salário-base da categoria, atualmente em R$ 2.715,50, deveria receber um acréscimo de R$ 151,52.
De acordo com o sindicato, esse valor ainda não foi incorporado aos salários dos trabalhadores, o que levou à nova paralisação. A entidade afirma que a greve só será encerrada quando o reajuste for pago integralmente.
Atualmente, cerca de três mil rodoviários atuam no sistema urbano da capital e todos aderiram ao movimento.
Troca de acusações entre prefeitura e empresas
Em nota, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) afirmou que a paralisação ocorreu porque as empresas de ônibus não cumpriram a decisão judicial que determinou a concessão do reajuste salarial e de benefícios aos rodoviários.
A prefeitura também declarou que os repasses de subsídios às empresas do transporte público estão sendo realizados regularmente e sem atrasos.
Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) responsabilizou o município pela crise no setor.
A entidade afirma que o valor do subsídio pago pela prefeitura permanece o mesmo desde janeiro de 2024, apesar do aumento nos custos operacionais e de reajustes salariais concedidos aos trabalhadores.
O sindicato patronal também citou o aumento recente no preço do diesel como um dos fatores que pressionam os custos do transporte coletivo.
Investigação do Ministério Público
Enquanto o novo impasse ocorre, o Ministério Público do Maranhão conduz um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades no sistema de transporte coletivo da capital.
A apuração envolve o município, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), os consórcios que operam as linhas e empresas concessionárias.
Entre as informações solicitadas pelo órgão estão dados sobre as linhas de ônibus, itinerários, frota disponível, planilhas de custos do sistema, valores de subsídios pagos desde 2021 e o número de novos veículos incorporados ao serviço nos últimos anos.
A expectativa é que novas rodadas de negociação ocorram nos próximos dias na tentativa de encerrar a paralisação e normalizar o funcionamento do transporte público na capital maranhense.






