O advogado constitucionalista André Marsiglia afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que haveria uma “razão oculta” por trás das medidas judiciais que atingiram um jornalista no Maranhão.
Segundo ele, a iniciativa estaria ligada a interesses políticos do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e envolveria também o ministro Alexandre de Moraes.

No comentário, Marsiglia cita informações atribuídas ao jornalista Carlos Andreazza, colunista do O Estado de S. Paulo, para sustentar a hipótese de que a medida teria como objetivo intimidar profissionais da imprensa no estado.
Segundo Marsiglia, a investigação teria sido motivada por uma reportagem sobre o uso de carro oficial no Tribunal de Justiça do Maranhão que mencionaria o nome de Dino e de familiares.
“Olha só, há uma razão oculta para o Dino atacar e perseguir jornalistas lá no Maranhão, e eu vou te contar qual é. Todo mundo sabe que o Flávio Dino atiçou o Moraes para que o Moraes determinasse uma busca e apreensão nos notebooks e celulares de um jornalista do Maranhão por conta de uma matéria sobre carro oficial no TJ do Maranhão que envolvia o Dino, familiares do Dino, enfim, inclusive acusou o jornalista de perseguição, mas o ponto é que tem uma razão por trás, uma razão sinistra e que eu vou te contar agora.”
Marsiglia afirma que a análise mencionada por Andreazza aponta para interesses eleitorais no estado.
“Muito bem, quem traz essa informação é Carlos Andreazza, do Estadão. Ele diz o seguinte: que Flávio Dino é o líder de um grupo político lá no Maranhão; ele comanda partidos e candidatos e tem interesse em que o seu grupo ganhe as eleições de 2026 no estado. A ele se consolida, com isso, Dino, o seu poder no Maranhão. Portanto, o objetivo de Dino, segundo Carlos Andreazza, com essa busca e apreensão de celulares e notebooks, claro, é intimidar a imprensa do Maranhão, é silenciar a imprensa do Maranhão para que ele, Dino, possa manter o seu poder e o poder do seu grupo.”
Ainda segundo o advogado, a intenção também seria descobrir as fontes do jornalista investigado.
“E também, diz o Andreazza, que a razão oculta, para além do silenciamento dos jornalistas e, com isso, o favorecimento do seu grupo, é também, diz o Andreazza, descobrir quais são as fontes jornalísticas dele, do jornalista, para identificar quem são os inimigos do Dino dentro do estado do Maranhão, que estão vazando informações ou prejudicando, buscando prejudicar o Dino ou seu grupo político lá no Maranhão.”
Marsiglia afirma que, com essas informações, poderia haver retaliações políticas contra adversários.
“Claro, com essas informações seria possível algum tipo de retaliação, de vingança, seja o que for. Bom, esse seria o objetivo. Ou seja, meus amigos, a imprensa está sendo perseguida, segundo Carlos Andreazza, no Maranhão, para que Dino possa ser favorecido, para que mantenha o seu nível de poder e para que o grupo dele silencie a imprensa e seja favorecido por ela.”
No vídeo, o advogado também critica a atuação do Supremo Tribunal Federal.
“Ou seja, Moraes entrou agora em uma situação de, inclusive, prestar favor político para o seu amigo juiz — ‘amigos juízes’, entre aspas. Porque, se isso é verdade, se o que traz aqui Carlos Andreazza, do Estadão, for verdade, nós temos um juiz que não é juiz. Claro: Dino está ali fazendo um papel de político dentro da Corte. Está vestido de toga, mas, por baixo da toga, bate o coração de um político. E Moraes está vestido de juiz, mas também não é juiz, porque está fazendo um favor político a um político que já não é juiz. Quer dizer, um político-juiz fazendo favor para outro político-juiz.”
Marsiglia também fez críticas à atuação da imprensa tradicional.
“Bom, o STF, meus amigos, acabou. E tudo isso de bandeja. Eles jogam fora a liberdade de imprensa, eles jogam fora a liberdade de expressão. Mas é bom que se diga: só conseguem fazer esse trabalho sujo, só conseguem fazer esse trabalho ilegal, usar o direito constitucional e o STF para trocas que não são constitucionais nem republicanas, porque a velha mídia, a velha imprensa, ficou cega durante sete anos e tornou musculosa a censura à liberdade de imprensa e de expressão nas redes sociais.”
Por fim, ele citou a cobertura da Folha de S.Paulo sobre o caso.
“Tanto que tem gente, e eu vou dizer o nome, a Folha de São Paulo, que depois desse absurdo que aconteceu lá no Maranhão, ainda está chamando de blogueiro o cara que foi censurado. O blogueiro está revoltado, como se o problema aqui fosse o blogueiro, e não o Dino e o Moraes que censuraram o jornalista.”
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