A decisão do ministro Flávio Dino de assumir diretamente a relatoria de um inquérito sobre um assassinato registrado em São Luís (MA), em 2022, passou a ser explorada em uma nova frente de disputa política no Maranhão. Além do impacto jurídico do caso, que envolve citações a familiares do governador Carlos Brandão, investigadores identificaram o uso indevido de um telefone ligado ao próprio autor do crime para disseminar informações falsas contra o chefe do executivo estadual.

De acordo com denúncias já formalizadas na Polícia Civil do Maranhão, inclusive com boletim de ocorrência registrado na SEIC, o aparelho vinculado ao assassino confesso Gilbson César Soares Cutrim Júnior estaria sendo utilizado para impulsionar conteúdos distorcidos em redes sociais e grupos de WhatsApp. Um dos números usados na distribuição das mensagens, segundo a apuração, está em nome do próprio Gilbson. (Confira o BO)
As investigações apontam, ainda, para uma atuação coordenada nas redes, especialmente na plataforma X (antigo Twitter), com participação de pessoas ligadas ao entorno político do vice-governador Felipe Camarão. Entre os citados está um assessor próximo, além de menções ao pai do autor do crime, identificado como César, que também estaria envolvido na disseminação do material em aplicativos de mensagem.
O caso já mobiliza outras frentes de apuração. O GAECO prepara uma operação de grande alcance contra perfis falsos suspeitos de atuar de forma coordenada para interferir no ambiente político e eleitoral no Maranhão. A ofensiva deve atingir não apenas operadores das contas, mas também possíveis financiadores e estruturas por trás da estratégia de desinformação.
Paralelamente, o inquérito conduzido agora sob relatoria de Dino no Supremo Tribunal Federal segue sob sigilo e investiga possíveis irregularidades na condução inicial do caso, incluindo suspeitas de interferência e uso da máquina pública. O processo foi retirado do Superior Tribunal de Justiça após o ministro apontar “anomalias” e riscos à apuração.
A repercussão política é imediata. O governador Carlos Brandão afirmou que a decisão causa “estranheza”, enquanto o senador Weverton Rocha negou qualquer envolvimento e disse ter sido citado sem base factual.
