Nos corredores do poder em Brasília, integrantes do chamado centrão intensificaram ações para tentar influenciar a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em favor da libertação do banqueiro Daniel Vorcaro.

A movimentação ocorre em meio a um clima de apreensão político‑institucional: autoridades e parlamentares temem que o banqueiro, caso permaneça preso por mais tempo, opte por um acordo de colaboração premiada com as forças investigativas.

Nesse tipo de negociação, o investigado aceita fornecer informações detalhadas sobre crimes e eventuais parceiros envolvidos em troca de benefícios legais, como atenuantes na pena. Uma delação de Vorcaro poderia, segundo interlocutores políticos, revelar redes de relações que atingiriam figuras do meio político e financeiro.

Na quinta‑feira (12), contudo, a defesa de Vorcaro negou que haja qualquer tratativa em curso para um acordo de delação premiada.

Disputa de votos na Segunda Turma

Vorcaro foi preso no dia 4 de março por determinação do ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do chamado caso Master após o ministro Dias Toffoli. Desde então, ele está em uma unidade prisional federal de segurança máxima, em Brasília.

Nesta sexta‑feira (13), a Segunda Turma do STF começa a julgar a manutenção ou não da prisão decretada por Mendonça. O colegiado vai analisar se persistem os motivos apresentados pelo relator, que apontou riscos à ordem pública e às investigações.

Segundo informações, aliados do centrão já teriam iniciado um levantamento sobre a posição de cada ministro da Turma, em uma tentativa de construir uma base de votos favorável à soltura de Vorcaro.

Cálculo político e legal

Um dos desdobramentos ocorreu na noite de quarta‑feira (11): o ex‑relator Toffoli se declarou suspeito para participar do julgamento que discute a prisão do banqueiro. Isso deixou o julgamento com quatro ministros aptos a votar.

No contexto do STF, um empate na Segunda Turma favorece o réu, o que alimenta a estratégia de membros do centrão para tentar obter um placar equilibrado e, assim, conseguir a liberdade de Vorcaro.

Além de Mendonça e Toffoli, compõem a Segunda Turma os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux. Como Mendonça é quem autorizou a prisão, a expectativa dos articuladores políticos está nos demais ministros — embora, nos círculos do tribunal, não haja clareza sobre como cada um deve votar.

Até o momento, a única posição pública no caso foi a do relator, ministro Mendonça, que defende a necessidade de manter a prisão diante dos riscos apontados.


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