Um casarão histórico, com mais de dois séculos de existência, localizado no Centro de São Luís, encontra-se em completo estado de ruína. A cada estação chuvosa, aumenta o risco de desabamento, gerando preocupação entre moradores e comerciantes da região.

Situações como essa não são isoladas: diversos prédios históricos da capital maranhense enfrentam abandono. Em alguns casos, apenas as fachadas permanecem de pé, sustentadas precariamente por escoras de madeira.

São Luís possui mais de 5 mil casarões construídos entre os séculos XVIII e XIX. Desses, cerca de 1.400 integram o conjunto histórico reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial. Nos últimos dez anos, a Defesa Civil do Maranhão registrou desabamentos em 36 desses imóveis históricos.

Atualmente, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil monitoram 130 prédios antigos. Entre eles: 79 apresentam risco crítico; alguns possuem telhados totalmente comprometidos e outros têm fachadas inteiras danificadas por infiltrações, problema que se intensifica com as chuvas.

De acordo com autoridades, o principal perigo é o risco de acidentes, que incluem quedas, colapso de coberturas e outros problemas relacionados à saúde e segurança pública.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informa que 90% dos imóveis históricos de São Luís estão sob propriedade privada. O Ministério Público Federal, por sua vez, move atualmente 80 ações judiciais exigindo que os proprietários tomem medidas de preservação.

No entanto, mesmo quando a Justiça determina a restauração, a execução das obras enfrenta obstáculos, como a ausência de proprietários no país, limitações financeiras e a complexidade das normas técnicas de restauro.

Apesar das dificuldades, avanços ocorrem: nos últimos oito anos, 29 casarões históricos foram restaurados e reocupados, demonstrando que a preservação é possível quando há planejamento e compromisso.


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