O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixou nesta quinta-feira (12), a relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão foi tomada após reunião reservada entre os ministros da Corte no gabinete da presidência, convocada por Edson Fachin depois do recebimento do relatório final da Polícia Federal sobre a apuração.

Durante o encontro, os ministros foram informados sobre as conclusões da investigação e Toffoli apresentou sua posição diante do pedido de suspeição formulado pela PF. O magistrado conduzia uma das frentes centrais do caso no Supremo, que envolve, entre outros pontos, a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília e possíveis irregularidades financeiras investigadas na operação Compliance Zero.
A investigação chegou ao STF por envolver autoridades com prerrogativa de foro. No curso das apurações, a Polícia Federal encontrou um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar em um endereço ligado ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, elemento que ajudou a levar o caso à Corte.
A atuação de Toffoli à frente do processo vinha sendo acompanhada de questionamentos públicos. Em novembro de 2025, o ministro viajou em avião particular para Lima, no Peru, onde assistiu à final da Libertadores. Entre os passageiros estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de um ex-diretor de Compliance do Banco Master investigado na operação. O episódio motivou críticas e cobranças por regras mais rígidas de conduta no Judiciário.
Na condução do caso, o ministro também determinou sigilo máximo sobre pedidos apresentados pela defesa de Daniel Vorcaro e estabeleceu que novas diligências da operação dependeriam de autorização prévia do STF, sob o entendimento de que a investigação poderia atingir autoridades com foro privilegiado. Parte das apurações vinculadas ao inquérito chegou a ser enviada para instâncias inferiores, como investigações envolvendo o ex-presidente do Rioprevidência e o investidor Nelson Tanure.
Outro elemento citado no contexto do caso foi a contratação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para serviços ligados à negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília. Os valores divulgados publicamente sobre o contrato não foram contestados, mas o documento completo não foi apresentado.
Apesar da pressão de advogados, parlamentares e integrantes do Executivo para que deixasse o caso, Toffoli afirmava não haver impedimento legal para permanecer na relatoria. O ministro defendia a supervisão do Supremo como forma de assegurar o respeito ao foro privilegiado e evitar questionamentos processuais futuros. Também manifestava preocupação com fragilidades na regulação do sistema financeiro, diante do rombo estimado em R$ 47,3 bilhões investigado no caso.
Com a saída do ministro, caberá ao Supremo definir a redistribuição da relatoria e a condução das próximas etapas da investigação sobre o Banco Master.






