Com o fim da greve dos rodoviários que deixou São Luís sem transporte coletivo por oito dias, o prefeito Eduardo Braide foi às redes sociais e criticou as empresas que operam o sistema. Em vídeo divulgado neste sábado, 7, somente após os ônibus voltarem a circular, Braide apareceu publicamente dizendo que as paralisações no setor seriam provocadas de forma deliberada pelos empresários como estratégia de pressão por reajustes.

Prefeito Eduardo Braide

O prefeito afirmou que a greve terminou sem aumento da tarifa, sem ampliação do subsídio municipal, e atribuiu a responsabilidade das paralisações à conduta das empresas. Segundo ele, haveria atrasos salariais intencionais e supressão de direitos trabalhistas para provocar greves e forçar negociações.

A greve de ônibus acabou sem aumento na passagem e sem aumento no subsídio da Prefeitura. Mas vocês sabem por que acontecem as greves de ônibus em São Luís? Porque todos os anos os empresários de ônibus querem aumentar o valor da passagem ou o valor do subsídio. E para isso o que eles fazem? Atrasam de forma intencional o salário e benefícios ou negam os direitos dos trabalhadores rodoviais. obrigando-os a entrar em greve. E aí, eles retiram 100% dos ônibus das ruas para fazer a população de refém e pressionar a prefeitura a aumentar o valor da passagem ou do subsídio. Ao longo de seis anos da nossa gestão, a pergunta que tem que ser feita não é quantas greves tiveram, mas quantas vezes a passagem aumentou. Só duas vezes. Apenas 50 centavos em seis anos. Se eu tivesse cedido a pressão dos empresários, a passagem de São Luís hoje já estaria acima de R$ 7, algo inadmissível ainda mais com o desrespeito dos empresários que não colocam 100% da frota nas ruas desligam o ar condicionado, não compram novos ônibus como deveriam e não reformam os terminais de integração. Aliás, ao invés de pedirem um novo aumento, os empresários devem responder, para onde foi o dinheiro que era pago aos cobradores e que eles demitiram? O que aconteceu com o crédito de vale-transporte que sumiram dos cartões? E o que eles fazem com os 80 milhões de subsídios pagos pela prefeitura? Agora, diante de tantos ataques e fake news que eu tenho sido vítima nos últimos dias, Eu digo a vocês, se tem alguém do seu lado nessa história toda, é a Prefeitura de São Luís. Foi a Prefeitura que colocou os vouchers de aplicativo para diminuir o impacto da greve em sua vida. Foi a Prefeitura que, mais uma vez, enfrentou os empresários para não aumentar a passagem ou subsídios. E é a Prefeitura que está lutando para realizar a nova licitação do transporte público”, disse o ocupante do Palácio La Ravardière.

“Surto de amnésia” – No entanto, como se estivesse em um “surto de amnésia”, Braide não detalhou que, nos bastidores, o Município realizou repasses recentes de aproximadamente R$ 3,6 milhões às empresas, valores referentes a subsídios previstos em lei e ligados ao custeio do sistema. Os recursos teriam sido necessários para viabilizar o cumprimento de obrigações trabalhistas e evitar novas paralisações. Também não houve esclarecimento sobre a regularização de débitos anteriores apontados por trabalhadores do setor.

Hoje, os ônibus voltaram a circular, mas ainda há incerteza sobre a estabilidade do serviço caso os repasses não sejam mantidos em dia, ou seja, se houver novo atraso nos subsídios às empresas, São Luís corre o risco de enfrentar novas paralisações no transporte coletivo nas próximas semanas.

Licitação

Braide também citou a foi a nova licitação do transporte público, prometida desde o ano passado, quando a Câmara aprovou a medida em regime de urgência. Até o momento, porém, o processo segue sem conclusão e muito menos sem nenhum tipo de detalhamento por parte da Prefeitura.

Empresários reagem

Após as declarações do prefeito, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) divulgou nota oficial rebatendo as acusações e afirmando que a crise do sistema é estrutural.

NOTA À IMPRENSA – SET

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) repudia declarações recentes que tentam encerrar, por narrativa política, uma crise que é estrutural, técnica e ainda em curso.

Ao afirmar publicamente que a crise estaria resolvida sem qualquer ajuste estrutural, o próprio gestor municipal acaba por evidenciar falhas na fiscalização, na gestão contratual e na garantia do equilíbrio econômico-financeiro do sistema — responsabilidades primárias do poder concedente, nos termos da legislação vigente.

São igualmente graves e inaceitáveis as acusações genéricas lançadas contra empresários, com imputação de condutas ilícitas sem qualquer apuração técnica ou respaldo de órgãos de controle.

O SET reafirma sua confiança nas instituições de controle e informa que já está adotando as medidas administrativas e jurídicas cabíveis, inclusive reparatórias, para resguardar a integridade institucional do setor e restabelecer a verdade dos fatos.

A crise do transporte público não se resolve por discurso, mas por gestão técnica, cumprimento contratual e definição clara de responsabilidades.


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