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O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou recomendação ao Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DSEI/MA) para que assegure atendimento de saúde integral, contínuo e igualitário aos indígenas da etnia Ka’apor que vivem na Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão.

O órgão deu prazo de 15 dias para que o distrito informe as providências adotadas, sob pena de adoção de medidas judiciais.

A atuação do MPF ocorre após o recebimento de relatos indicando que profissionais do DSEI estariam sofrendo pressões internas para não prestar atendimento a determinados grupos indígenas.

Segundo as informações, as restrições teriam relação com divergências entre representantes e formas de organização social da própria comunidade Ka’apor.

Na recomendação, o MPF enfatiza que nenhum integrante da etnia pode ser privado de assistência em razão de disputas entre lideranças ou associações.

Para o órgão, a pluralidade de organizações internas não pode servir como justificativa para limitar o acesso a políticas públicas essenciais, especialmente no campo da saúde.

O documento orienta que o DSEI adote medidas imediatas para garantir a regularidade do serviço, sem qualquer tipo de restrição indevida.

Entre as providências sugeridas está a consideração da autodeclaração e do reconhecimento comunitário como critérios centrais para identificação dos usuários, além da revisão urgente de cadastros, fluxos administrativos e protocolos que possam resultar na exclusão de indígenas.

O MPF também recomendou a criação de mecanismos permanentes de diálogo institucional com as diferentes formas de organização social do povo Ka’apor, com o objetivo de assegurar tratamento equitativo e evitar práticas que possam ampliar vulnerabilidades ou gerar discriminação indireta.

A recomendação foi encaminhada ainda à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ao Ministério da Saúde, ao Conselho Distrital de Saúde Indígena e às lideranças Ka’apor, para ciência e eventual adoção de providências.



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