O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença por cerca de oito horas na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, durante a primeira noite de desfiles do Grupo Especial. Instalado no camarote da prefeitura, ele foi recebido pelo prefeito Eduardo Paes e por integrantes do governo, acompanhando de perto as apresentações — com destaque para a passagem da escola Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um enredo em sua homenagem.

A exibição reacendeu discussões no meio jurídico sobre a linha tênue entre manifestação cultural e eventual promoção eleitoral. Em entrevista à CBN, o advogado e professor Pedro Benatto avaliou que o caso se encontra em uma “zona cinzenta”, na qual é necessário examinar se houve ou não elementos que caracterizem propaganda antecipada.
Segundo ele, partidos de oposição já sinalizaram que pretendem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, que deverá analisar o conteúdo do desfile e as circunstâncias da homenagem. A avaliação, afirmou, dependerá de detalhes como discursos, símbolos e eventuais manifestações explícitas de apoio político.
Em meio às controvérsias, a primeira-dama Rosângela da Silva decidiu não participar do desfile em carro alegórico, como chegou a ser cogitado. Ela acompanhou a apresentação do camarote ao lado do presidente e foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Durante a passagem da escola, Lula desceu até a área próxima à bateria para cumprimentar integrantes e reverenciar o pavilhão da agremiação.
Antes do Carnaval, recomendações da Advocacia-Geral da União e da Comissão de Ética Pública da Presidência orientaram integrantes do governo a evitarem participação direta em desfiles, justamente para prevenir questionamentos legais.
O TSE já havia rejeitado um pedido de liminar apresentado pelo Partido Novo, que solicitava a suspensão do desfile sob alegação de propaganda irregular e uso indevido de recursos públicos. Na decisão, ministros afirmaram que impedir previamente a apresentação poderia configurar censura artística. À época, a presidente da corte, Cármen Lúcia, alertou que eventos dessa natureza podem abrir espaço para excessos, exigindo análise cuidadosa caso haja questionamentos formais.
Agora, caberá ao tribunal avaliar se a homenagem ultrapassou os limites legais ou se permaneceu dentro do campo cultural, enquanto o desfile segue repercutindo no debate político nacional.






