O transporte público da Grande São Luís corre risco de paralisação total nos próximos dias. Em comunicado divulgado na tarde desta quarta-feira, 21, o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão alertou para a possibilidade de greve diante da falta de avanços nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho de 2026.

Segundo a entidade sindical, a proposta de Convenção foi encaminhada ainda em novembro de 2025 ao Sindicato das Empresas de Transporte (SET). Desde o início deste ano, diversas reuniões vêm sendo realizadas, porém, de acordo com os rodoviários, nenhuma contraproposta que atenda às reivindicações da categoria foi apresentada até o momento.
O presidente do sindicato, Marcelo Brito, afirmou que tem participado de todos os encontros convocados pelo SET, mas classificou as negociações como improdutivas. A única sugestão apresentada pela patronal, conforme o sindicato, foi a criação de convenções separadas para os trabalhadores do sistema urbano e do semiurbano, proposta que foi rejeitada de imediato pela entidade sindical.
Para o STTREMA, a divisão não é aceitável, uma vez que a categoria é única e os direitos devem ser garantidos de forma igual a todos os rodoviários. Com o prazo legal para fechamento da nova Convenção Coletiva se aproximando do fim, o sindicato avalia que a paralisação pode se tornar inevitável caso não haja acordo.
“Nossa intenção é garantir que todos os direitos dos rodoviários sigam sendo respeitados. Os patrões parecem estar querendo ganhar tempo, mas não vamos permitir. Se as cláusulas econômicas, principalmente reajuste salarial e ticket alimentação, não forem definidas, iremos cruzar os braços”, afirmou Marcelo Brito.
A possível greve preocupa usuários do transporte público, já que uma paralisação atingiria ônibus urbanos e semiurbanos, impactando diretamente milhares de pessoas que dependem do serviço diariamente na capital e nos municípios da região metropolitana.
Até o momento, não há definição de nova rodada de negociações com proposta concreta apresentada pela patronal.
Paralisações anteriores
Em 2025, a capital maranhense enfrentou sucessivas paralisações e ameaças de greve de ônibus, especialmente nos meses de novembro e dezembro, em meio a impasses entre o Sindicato dos Rodoviários, a Prefeitura de São Luís e as empresas operadoras do sistema, com destaque para o Consórcio Via SL/1001. Os conflitos envolveram atrasos no pagamento de salários, benefícios como ticket alimentação e plano de saúde, além da falta de repasses de subsídios municipais.
Em novembro, rodoviários da empresa 1001 chegaram a paralisar parte da frota após atrasos salariais e no pagamento de benefícios, afetando diversos bairros da capital. Na ocasião, a Prefeitura sustentava que o repasse integral do subsídio só seria feito com 100% da frota em circulação, enquanto as empresas alegavam depender desse repasse para quitar os compromissos com os trabalhadores, o que gerou um impasse prolongado.
A crise se agravou em dezembro, quando uma greve na empresa 1001 paralisou totalmente a frota entre os dias 14 e 25 de novembro, levando o Município a cortar subsídios. A medida resultou em nova paralisação às vésperas do Natal, com protestos e forte impacto na mobilidade urbana. No mesmo período, o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) notificou a Prefeitura por atraso no pagamento do subsídio de dezembro, considerado essencial para o pagamento dos funcionários.
Em meio a crise no setor, o prefeito de São Luís anunciou, na ocasião, o rompimento do contrato com a empresa 1001. O impasse acabou sendo judicializado, e uma decisão da Justiça determinou o retorno de 80% da frota do Consórcio Via SL, sob pena de multa, após a paralisação da 1001/Expresso Rei de França.
Agora, São Luís pode voltar a ficar sem ônibus. Veja o comunicado do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão.
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