A capital maranhense amanhece nesta sexta-feira (30) sem ônibus nas ruas após o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (STTREMA) confirmar a paralisação geral da categoria, por tempo indeterminado, a partir de zero hora. Diante do impasse, o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) marcou, para as 15h, uma reunião com representantes de todos os órgãos e entidades envolvidos no sistema de transporte público.

A audiência foi solicitada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), após a entidade comunicar oficialmente ao tribunal sobre a greve. O objetivo do encontro é apresentar ao TRT o panorama real da crise no setor e buscar alternativas para garantir a continuidade de um serviço considerado essencial à população.
Devem participar da reunião o próprio SET, o STTREMA — presidido por Marcelo Brito —, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), o Governo do Estado, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), a Secretaria Municipal de Governo (SEMGOV) e representantes do Município de São Luís.
Negociações fracassadas
A paralisação ocorre após quatro rodadas de negociação sem acordo entre trabalhadores e empresas. Segundo o STTREMA, as propostas apresentadas pelo setor patronal não atenderam às reivindicações da categoria referentes à Convenção Coletiva de Trabalho 2026, cuja pauta foi protocolada ainda em novembro do ano passado.
Em assembleia geral realizada na terça-feira (27), os rodoviários aprovaram o indicativo de greve e estabeleceram prazo de 72 horas para que as empresas apresentassem uma proposta concreta. Como não houve avanço, a categoria decidiu cruzar os braços.
O sindicato dos trabalhadores afirma que a greve é uma medida extrema e que só foi adotada após o esgotamento das tentativas de diálogo. A entidade também declarou que segue aberta à negociação.
SET acionou a Justiça
Antes mesmo da paralisação ser confirmada, o SET informou que ingressou com medida judicial para tentar garantir a circulação de uma frota mínima de ônibus. A entidade patronal argumenta que a falta de acordo estaria ligada à ausência de proposta de reajuste salarial por parte da Prefeitura de São Luís nas tratativas que envolvem o custeio do sistema.
O sindicato das empresas sustenta que adotou a medida em caráter emergencial para evitar o colapso total do transporte público na capital e na Região Metropolitana.
Sistema já vinha instável
A nova greve acontece em um cenário de instabilidade no transporte coletivo da Grande São Luís. No início da semana, parte da frota já operava de forma irregular devido a uma paralisação de trabalhadores da empresa 1001 (Expresso Rei de França), que cobravam pagamento de salários e benefícios em atraso.
Mesmo com o retorno parcial desses funcionários após o pagamento de parte dos débitos, várias linhas continuaram com circulação reduzida.
Agora, com a paralisação geral dos rodoviários, o impacto deve ser ainda maior, afetando milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais. A expectativa gira em torno da reunião no TRT, que pode definir os rumos do transporte público da capital.
Veja a entrevista com Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão.
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Outra greve para prejudicar o povo de São Luís.