Um projeto de restauração ambiental vai recuperar 260 hectares da Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, uma das mais importantes unidades de conservação da Amazônia Maranhense. A iniciativa conta com coordenação técnica e científica do Museu Paraense Emílio Goeldi e integra ações voltadas à recuperação de áreas degradadas em regiões críticas do bioma amazônico.

Conhecida como Rebio Gurupi, a unidade possui cerca de 271,4 mil hectares e abriga remanescentes representativos de florestas tropicais úmidas. A área está localizada em uma das regiões mais pressionadas pelo avanço do desmatamento no país.
A proposta foi apresentada pela Associação Conservação da Vida Silvestre (WCS Brasil), organização sem fins lucrativos que atua desde 2004 com foco na conservação colaborativa, desenvolvendo ações em parceria com povos indígenas, comunidades afrodescendentes e populações tradicionais.
O investimento previsto é de aproximadamente R$ 8.982.490, com execução ao longo de quatro anos. O início das atividades está programado para o primeiro trimestre de 2026.
A Reserva Biológica do Gurupi está inserida na Área de Endemismo Belém (AEB), considerada a ecorregião mais desmatada da Amazônia. O território abriga espécies ameaçadas de extinção, como os primatas cairara kaapor e cuxiú, além de aves como o mutum-pinima e o jacamim-de-costas-escuras.
Além disso, a unidade integra o chamado Arco do Desmatamento, uma faixa territorial de aproximadamente 500 mil quilômetros quadrados que concentra cerca de 75% do desmatamento da Amazônia. Essa área se estende do oeste do Maranhão e do sul do Pará até o Acre, passando por estados como Tocantins, Mato Grosso e Rondônia.
A coordenação da equipe do Museu Emílio Goeldi no projeto ficará sob responsabilidade da ecóloga Marlúcia Martins, coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação da instituição. Segundo ela, o papel do museu será oferecer suporte técnico às metodologias de restauração e desenvolver atividades de pesquisa e monitoramento ambiental.
De acordo com a coordenadora, a experiência da WCS Brasil na estruturação de cadeias produtivas será utilizada para fomentar uma cadeia da restauração ambiental, com a contratação e capacitação de moradores da região. A proposta inclui o fortalecimento da Casa Familiar Rural para a formação de um polo de sementes qualificadas, que futuramente possa ser reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
A iniciativa também prevê apoio aos viveiros existentes na Terra Indígena Araribóia, ao sul da reserva. Segundo Marlúcia, o projeto vai incentivar especialmente a atuação de grupos de mulheres que já desenvolvem viveiros de mudas, além de outras iniciativas locais, como cooperativas regionais, ampliando as oportunidades econômicas associadas à restauração ambiental.
A produção científica do projeto, incluindo o registro detalhado de todas as etapas, bem como o desenvolvimento de soluções tecnológicas para enfrentar desafios operacionais, ficará sob a responsabilidade do Museu Emílio Goeldi. Para isso, serão utilizados os 11 laboratórios do Centro Integrado de Pesquisa em Restauração Ecológica e Produtiva da instituição.
O projeto, denominado Restaura Gurupi, faz parte de iniciativas apoiadas por editais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que buscam transformar o Arco do Desmatamento no Arco da Restauração. Os recursos são provenientes do Fundo Amazônia, com coordenação realizada pela gestora parceira Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil).






