O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira (20) congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos em 2025, em resposta às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à possível anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.

A informação foi confirmada por Iratxe García Pérez, presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) — a segunda maior bancada do Parlamento Europeu. Segundo ela, a suspensão do acordo representa uma reação política direta às pressões exercidas por Washington sobre países europeus.
Na última semana, Trump afirmou que pretende impor tarifas comerciais como forma de pressão caso países europeus se oponham ao plano dos Estados Unidos de comprar a Groenlândia. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente anunciou a aplicação de tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026, com aumento para 25% em junho do mesmo ano, sobre todas as mercadorias exportadas aos EUA por oito países europeus.
Entre os alvos das medidas estão Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Ainda nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como uma forma de “chantagem” e afirmou que as ameaças tarifárias buscam forçar “concessões injustificáveis” por parte da Europa.
Barrot declarou apoio à suspensão do acordo comercial e ressaltou que a Comissão Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para reagir às ações de Washington.
O tratado comercial entre EUA e União Europeia foi firmado em julho do ano passado e previa que os Estados Unidos aplicariam tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a UE reduziria parte de suas taxas sobre importações americanas.
O acordo, no entanto, ainda não havia entrado em vigor, pois dependia da aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais do bloco. A expectativa era que passasse a valer entre março e abril deste ano.
UE avalia retaliações bilionárias
Com a suspensão do acordo, a União Europeia voltou a discutir a possibilidade de tarifas retaliatórias contra os EUA, que poderiam atingir 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões). Também está em análise uma restrição ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que uma escalada tarifária entre EUA e UE seria um erro estratégico com impactos globais.
Por que Trump quer a Groenlândia?
Nas últimas semanas, Donald Trump intensificou as declarações sobre a anexação da Groenlândia, citando razões estratégicas e de segurança nacional. A ilha, localizada no Ártico, é considerada uma rota marítima crucial para o comércio internacional e rica em matérias-primas estratégicas.
Trump também afirma que a Groenlândia é essencial para a construção do chamado “Domo de Ouro”, um sistema de defesa antimísseis que ele pretende implantar para proteger o território americano.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo”, escreveu o presidente. Segundo ele, caso os EUA não assumam o controle da ilha, Rússia ou China poderiam fazê-lo.






