O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) apresentou denúncia contra o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), a atual vice-prefeita, a ex-vice-prefeita e sete familiares, suspeitos de integrar um esquema de desvio de recursos públicos que teria causado prejuízo de R$ 56,3 milhões aos cofres municipais. As investigações fazem parte da Operação Tântalo II.

A denúncia foi assinada pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e encaminhada ao gabinete da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, relatora do caso na 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
Caberá a ela decidir se a ação penal será recebida. Caso isso ocorra, os denunciados passarão à condição de réus. O MP-MA informou ainda que prepara novas denúncias contra os 11 vereadores que cumprem prisão domiciliar, além de servidores públicos suspeitos de participação no esquema.
Atualmente, a Prefeitura de Turilândia é comandada interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, conhecido como “Pelego” (União Brasil), que assumiu o cargo após decisão judicial, mesmo estando em prisão domiciliar.
De acordo com o Ministério Público, o prefeito Paulo Curió é apontado como o líder da organização criminosa. Segundo a denúncia, ele teria utilizado o cargo para estruturar, comandar e manter o funcionamento do esquema de desvios, que envolvia contratos fraudulentos, fraudes em processos licitatórios e o recebimento de vantagens indevidas.
Ainda conforme o MP, os valores obtidos de forma ilícita teriam sido ocultados por meio de terceiros, empresas e bens registrados em nome de familiares e pessoas próximas. Paulo Curió foi denunciado pelos crimes de organização criminosa, desvio de rendas e valores públicos, fraude à licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Além do prefeito, o Ministério Público denunciou integrantes do núcleo familiar e político do gestor municipal, que, segundo a investigação, teriam atuado para viabilizar e ocultar os desvios. A primeira-dama Eva Dantas, esposa do prefeito, é acusada de integrar a organização criminosa, auxiliar nos desvios e participar da ocultação de recursos por meio da administração financeira e patrimonial.
A vice-prefeita Tânya Karla foi denunciada por integrar o esquema, usar o cargo para facilitar desvios, receber vantagens indevidas e ocultar valores ilícitos. Já a ex-vice-prefeita Janaina Soares é acusada de participação direta nas fraudes, desvios de recursos, irregularidades em licitações e ocultação de patrimônio.
O pai do prefeito, Domingos Sávio Fonseca Silva, também foi denunciado por integrar a organização criminosa, auxiliar nos desvios e movimentar recursos de origem ilícita. O irmão, Marcel Everton Dantas Filho, é acusado de colaborar na ocultação e circulação dos valores.
A irmã do prefeito, Taily de Jesus Everton Silva Amorim, teria participado dos desvios e da dissimulação da origem dos recursos. O tio, José Paulo Dantas Filho, é apontado como responsável pela movimentação de valores desviados. Também foram denunciados a cunhada Ritalice Souza Abreu Dantas e o cunhado Jander Silveiro, acusados de integrar o grupo criminoso e colaborar na ocultação e circulação do dinheiro desviado.
Segundo o MP-MA, os familiares teriam atuado como “laranjas”, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos públicos desviados.
O Ministério Público afirma que o grupo formou uma organização criminosa estável, estruturada e com divisão de tarefas, voltada à obtenção de vantagens ilícitas por meio de fraudes em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. A denúncia cita diálogos entre os investigados como elementos que reforçam a atuação conjunta no esquema.
Na ação, o MP-MA solicita o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados, a perda de bens e valores relacionados ao esquema — mesmo quando registrados em nome de terceiros — e a perda de cargos públicos nos casos de abuso de poder.
O órgão também pede a manutenção das medidas cautelares já impostas, como bloqueio de bens, afastamento de funções públicas, restrições de contato entre os investigados e conversão definitiva das medidas de bloqueio, além da fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados ao erário.
Sobre a Operação Tântalo II
Deflagrada em 22 de dezembro, a Operação Tântalo II investiga o desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos de Turilândia, principalmente de recursos destinados às áreas da Saúde e da Assistência Social.
As investigações apontam o uso de empresas de fachada ligadas ao prefeito e aliados políticos. Além dos gestores municipais, empresários, servidores públicos, 11 vereadores e um ex-vereador — atualmente secretário municipal de Agricultura — também são investigados.
Os crimes apurados incluem organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, com supostas irregularidades ocorridas entre os anos de 2021 e 2025.






