Uma artista pop italiana que nunca existiu fisicamente, mas já tem músicas executadas em diferentes partes do mundo.

Essa é Marani Maru, cantora virtual criada integralmente com o uso de Inteligência Artificial (IA) pelo compositor, designer e diretor de arte Rodrigo Ribeiro, conhecido artisticamente como Dingo, natural de Divinópolis (MG).

O projeto foi desenvolvido do zero. Identidade visual, voz, repertório, videoclipes e narrativa artística foram concebidos a partir de ferramentas de IA, sempre sob a curadoria criativa e direção do artista mineiro.

Em menos de um mês desde o lançamento, as músicas de Marani Maru já passaram a circular em plataformas como Spotify, Apple Music, YouTube Music e TikTok, alcançando ouvintes no Brasil, na Europa e até nos Estados Unidos.

Além das execuções espontâneas, as faixas entraram em playlists algorítmicas das plataformas de streaming — um feito considerado raro para projetos independentes e recém-lançados.

A escolha de criar uma artista italiana não foi casual. Segundo Rodrigo Ribeiro, o conceito do projeto nasceu de uma relação pessoal com a língua, a cultura e a memória afetiva.

A conexão se aprofundou com o cinema. Após assistir a uma mostra dedicada ao diretor Federico Fellini, no Palácio das Artes, Rodrigo decidiu estudar italiano de forma autodidata — aprendizado que acabou incorporado diretamente ao projeto musical.

Hoje, o processo criativo começa com letras escritas em português, que depois são traduzidas para o italiano. O artista revisa gramática, fluidez e sonoridade antes de avançar para a composição musical e para a criação visual.

Apesar de utilizar inteligência artificial, Rodrigo faz questão de destacar que o projeto está longe de ser automático. A criação das imagens e dos clipes de Marani Maru exige domínio técnico de fotografia, enquadramento, iluminação, figurino e direção de arte.

Segundo ele, uma das provocações centrais do trabalho é questionar a ideia de que a arte feita com IA é fácil, descartável ou sem autoria.

Mesmo sendo um projeto independente e recente, Marani Maru já aparece em playlists algorítmicas — um processo que, segundo Rodrigo, costuma levar meses para novos artistas.

Entre as faixas já lançadas estão “Motel Astrale”, que abre o álbum, e “Dare”, que vem se destacando pelo número de replays nas plataformas.

O projeto também enfrenta desafios comuns a artistas independentes, como entraves com distribuidoras para liberação das músicas em redes sociais, especialmente no Instagram.


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