A oficialização da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, anunciada nesta sexta-feira, 5, provocou imediatas reações no União Brasil e expôs a falta de unidade entre as siglas do Centrão. Além da sinalização do presidente do União, Antonio Rueda, que indicou que o partido não deve embarcar na escolha, o próprio líder da legenda na Câmara, deputado Pedro Lucas Fernandes (MA), afirmou que a construção da candidatura ocorreu “sem diálogo”.

Segundo o parlamentar maranhense, a ausência de conversas prévias com as principais forças políticas abre caminho para que União Brasil e demais partidos do Centrão priorizem suas próprias estratégias eleitorais. “Na prática, essa pré-candidatura libera os partidos do bloco para focarem nas eleições para o Legislativo”, avaliou Pedro Lucas, destacando que a movimentação do PL não cria, neste momento, nenhum tipo de compromisso formal para apoio no pleito presidencial de 2026.
Com 59 deputados federais, o União Brasil tem uma das maiores bancadas da Câmara. Somado ao PP, com 50 parlamentares, o grupo — que integra a recém-criada federação União Progressista — torna-se o maior bloco da Casa. Apesar disso, Rueda reforçou, em publicação nas redes sociais, que o partido não pretende seguir o caminho da polarização. “Em 2026, não será a polarização que construirá o futuro”, afirmou, defendendo foco nas pautas estaduais e na “agenda que transforme a vida das pessoas”.
Pedro Lucas, no entanto, foi mais pragmático ao analisar o impacto político imediato do anúncio. Para ele, se nada mudar no cenário atual, a tendência é que a federação libere seus filiados para apoiar o candidato à Presidência que melhor se alinhar às articulações locais de cada estado.
A decisão do PL de lançar Flávio Bolsonaro movimentou não só o meio político, mas também o mercado financeiro. A informação, antecipada pelo portal Metrópoles, foi apontada por gestores como um dos fatores que contribuíram para a alta do dólar e a queda do Ibovespa no início da tarde.
Enquanto isso, lideranças bolsonaristas cobram posicionamento. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, questionou publicamente se o Centrão pretende apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político: “É hora do Centrão se posicionar, ou vão abandonar o presidente como abandonam até agora?”, escreveu no X.
Nos bastidores, União Brasil e PP vinham demonstrando preferência por uma chapa mais competitiva, encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tendo Michelle Bolsonaro como vice. Ainda assim, Bolsonaro sempre defendeu que o representante de seu grupo levasse o “sobrenome Bolsonaro” para a disputa.






