Antes de explodir no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, o foguete sul-coreano Hanbit-Nano apresentou uma falha técnica e se fragmentou em três ou quatro partes logo após atravessar uma camada de nuvens, segundo informações divulgadas pela empresa Innospace.

O acidente ocorreu cerca de 30 segundos após a decolagem, encerrando prematuramente a missão Spaceward, o primeiro teste comercial da companhia. O lançamento foi realizado no dia 23 de dezembro, sem registro de vítimas ou danos ao solo.

De acordo com a Innospace, o veículo de dois estágios decolou normalmente às 10h13 (horário da Coreia do Sul) — 22h13 do dia 22 no Brasil — seguindo a trajetória vertical planejada.

Ainda segundo a empresa, o motor híbrido de 25 toneladas operou corretamente na fase inicial do voo, marcando um feito inédito: o primeiro voo bem-sucedido de um motor híbrido de médio a grande porte no mundo. No entanto, ao atravessar uma camada de nuvens, a comunicação com o solo foi perdida.

Logo depois, foram identificados sinais de perda de empuxo no motor do primeiro estágio, o que resultou na perda de atitude do veículo.

Com isso, o foguete entrou em queda livre e acabou se fragmentando em partes correspondentes ao primeiro e ao segundo estágios, além de pequenos destroços.

Segundo a Innospace, como o Ponto de Impacto Imediato (PII) estava localizado dentro da zona de segurança do local de lançamento, o Sistema de Terminação de Voo (STF) foi acionado, conforme protocolos internacionais acordados previamente com a Força Aérea Brasileira (FAB). O procedimento provocou uma explosão controlada no impacto com o solo, encerrando oficialmente a missão.

“Foram confirmados sinais de perda de empuxo do motor do primeiro estágio, o que levou à perda de atitude do veículo e à queda em queda livre. Como o impacto ocorreria dentro da área segura, o Sistema de Terminação de Voo foi ativado para evitar riscos adicionais, resultando na explosão controlada do foguete”, explicou a empresa em nota.

Apesar da falha, a Innospace informou que conseguiu coletar dados relevantes da decolagem e da fase inicial do voo, considerados essenciais para o aprimoramento do projeto. Parte dos destroços já foi recuperada e será utilizada nas análises técnicas. A empresa ressaltou ainda que a carga útil e o satélite do cliente estavam segurados.

O CEO da Innospace, Kim Soo-jong, destacou que o setor de lançamentos espaciais envolve alto grau de complexidade e que apenas um número limitado de empresas consegue atingir o estágio de lançamento comercial.

“A indústria de veículos de lançamento espacial é altamente técnica, com milhares de variáveis atuando simultaneamente. O primeiro lançamento comercial representa um dos maiores desafios, exigindo não apenas perfeição tecnológica, mas também confiabilidade e cumprimento rigoroso de padrões de segurança”, afirmou.

A companhia informou que iniciou uma análise preliminar da falha com base nos dados dos instrumentos de voo e nas informações de rastreamento fornecidas pela Força Aérea Brasileira.

A causa definitiva, no entanto, será determinada por meio de uma investigação oficial conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes de Aviação (CENIPA).

A Innospace afirmou ainda que o incidente não deve impactar contratos futuros e que uma nova tentativa de lançamento do Hanbit-Nano está prevista para o próximo ano, novamente a partir de Alcântara, em data que será definida após a conclusão da investigação.

“Pedimos sinceras desculpas aos nossos clientes pelo encerramento antecipado da missão. Com os dados obtidos neste voo, faremos o possível para aprimorar nossa tecnologia, aumentar a confiabilidade e elevar as chances de sucesso em futuros lançamentos”, concluiu o CEO Kim Soo-jong.


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