A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 16, no Rio de Janeiro, a Operação Unha e Carne 2, que investiga o vazamento de informações sigilosas para beneficiar a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Nesta nova fase, foi preso o desembargador Macário Ramos Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), relator do processo envolvendo o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias.

A prisão de Macário Judice Neto ocorreu em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ele foi conduzido para a sede da Polícia Federal, onde permanece à disposição da Justiça. O magistrado é apontado como um dos alvos centrais da investigação, que apura o vazamento de dados da Operação Zargun, responsável pela prisão de TH Joias, acusado de ligação com o Comando Vermelho.
Ao todo, a PF cumpre um mandado de prisão e dez de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos mandados de busca foi cumprido contra o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), preso na primeira fase da operação e posteriormente solto por decisão do plenário da Casa. Agora, ele volta a ser alvo das investigações.
Histórico controverso
Macário Judice Neto voltou à magistratura em 2023, após ficar 17 anos afastado, e foi promovido a desembargador federal por antiguidade, com escolha unânime do TRF-2 e indicação formal enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O afastamento ocorreu em meio a denúncias do Ministério Público Federal (MPF) relacionadas à suspeita de participação em um esquema de venda de sentenças, ligado à chamada máfia dos caça-níqueis, no Espírito Santo.
Embora tenha sido absolvido em uma ação penal em 2015, Macário permaneceu afastado por conta de processos administrativos disciplinares. Em 2022, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou sua reintegração, ao entender que o prazo para julgamento havia sido extrapolado.
A investigação também cita a esposa do desembargador, Flávia Judice, que atuava no gabinete da diretoria-geral da Alerj até o início do mês passado, período em que as apurações já estavam em andamento. A Polícia Federal informou que, até o momento, ela aparece no inquérito apenas como conexão institucional, sem detalhar eventual envolvimento direto.
Nova fase da operação
A Operação Unha e Carne teve sua primeira fase no início de dezembro, quando Rodrigo Bacellar foi preso após ser acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargun. Na ocasião, a PF apreendeu R$ 90 mil em espécie no carro do parlamentar. Bacellar também foi afastado da presidência da Alerj por decisão do STF, que apontou “fortes indícios” de sua participação em organização criminosa.
A ação desta terça-feira está inserida no contexto da decisão do STF no julgamento da ADPF nº 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou à Polícia Federal a condução de investigações sobre a atuação de grupos criminosos violentos no estado e suas possíveis conexões com agentes públicos.
A PF ainda deve divulgar novos detalhes sobre o avanço das investigações ao longo do dia.






