Enquanto São Luís vive mais uma crise no setor de transporte público, com a capital maranhense paralisada por uma greve que prejudica a população, vêm à tona uma surpreendente elevação de gastos do prefeito Eduardo Braide no setor da Cultura.

Prefeito Eduardo Braide

Os números indicam que gastos com Réveillon, carnaval, São João, shows com artistas nacionais e estruturas gigantescas, artistas nacionais viraram ferramenta de exposição pessoal. Os números oficiais confirmam que essa é a verdadeira prioridade do prefeito.

Os gastos subiram de R$ 17 milhões para R$ 101 milhões em quatro anos.
A tabela a seguir mostra um salto considerável na execução orçamentária da Secretaria Municipal de Cultura:
* 2021: R$ 17.212.744,89
* 2022: R$ 27.099.669,35
* 2023: R$ 57.119.744,43
* 2024: R$ 94.916.199,57
* 2025: R$ 101.679.951,99

O resultado representa um aumento de quase 500% em cinco anos. Ressalte-se que o orçamento de 2025 ainda está em execução, e que a esses gastos ainda se somarão as festas de fim de ano. Trata-se do maior crescimento entre todas as áreas da prefeitura de São Luís.

Enquanto isso, problemas se acumulam no setor de transporte público, em unidades de saúde, muitas com infraestrutura precária e muitos bairros sem saneamento básico.

Segundo fontes do próprio município, todos os anos a SECULT prevê valores modestos nas leis orçamentárias. Porém, ao final de cada exercício, o gasto real explode, revelando uma falta de planejamento orçamentário que salta aos olhos.

O descontrole acontece porque o prefeito faz, de forma descabida, os remanejamentos orçamentários, prática que deveria ser excepcional, mas virou regra para turbinar gastos com festas, conforme indicam os números.

Eduardo Braide brigou com a câmara e ganhou na justiça para poder remanejar mais de r$ 1,5 bilhão. Diante dessa situação e de outras também preocupantes, quando a Câmara Municipal decidiu limitar o remanejamento a 5%, o prefeito reagiu fortemente: atacou publicamente os vereadores, acusou o legislativo de travar a administração, e ainda ingressou na Justiça para derrubar o limite.
Segundo vereadores da capital, a câmara apenas estava exercendo seu dever constitucional de fiscalizar o orçamento público.
Por fim, a Justiça elevou o limite para 25%, o que representa mais de R$ 1,5 bilhão que ele pode mover livremente dentro do orçamento, sem diálogo, sem controle e sem planejamento.

Com o crescimento significante dos gastos na área cultural, a insistência em eventos gigantescos e a evidente exposição pessoal do prefeito nesses ambientes, cresce o alerta entre juristas e servidores da área de controle, pois há fortes indícios de uso de dinheiro público para fins de pré-campanha eleitoral, muito embora, até aqui, jamais o prefeito tenha feito qualquer declaração a respeito de eventual disputa pelo governo do estado.

Os elevados gastos podem merecer atenção do Ministério Público.


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