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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a convocação do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), apontado como peça-chave nas investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão no início da manhã e agora será obrigado a depor perante o colegiado.

Deputado Edson Araújo

A convocação ocorre em meio à intensificação das investigações sobre um suposto esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários. Segundo o senador Izalci Lucas (PL-DF), autor de um dos quatro requerimentos aprovados, Araújo — que também é presidente licenciado da Federação das Colônias de Pescadores do Maranhão (Fecopema) — seria “um ator central” no esquema, após o Coaf identificar movimentação financeira atípica de R$ 5,4 milhões nas contas da entidade.

Além da convocação, a CPMI autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do deputado e solicitou ao Coaf o envio de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre ele.

Ameaça a parlamentar e pedido de proteção

A decisão também ocorre poucos dias após o vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), relatar ter sido ameaçado por Araújo. Duarte registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara e pediu proteção institucional, o que acirrou a tensão política em torno do caso.

“Núcleo político”

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que as investigações entram agora em uma nova fase, direcionada ao chamado “núcleo político” do esquema. Segundo ele, já foram identificados e presos operadores e servidores envolvidos, e o colegiado passará a votar convocação de políticos sem buscar consenso.

— De agora para frente, vamos entrar no chamado núcleo político (…) colocaremos todos os requerimentos em votação para que o povo brasileiro saiba quem quer ou não trazer para cá as informações — declarou.

Desdobramentos da Operação Sem Desconto

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), encaminhou ainda pedido de prisão preventiva de Américo Monte, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, investigado por organização criminosa, estelionato qualificado e lavagem de dinheiro.

Outro requerimento, que pedia prisão temporária do empresário Danilo Berndt Trento, foi retirado de pauta após seus advogados informarem que ele comparecerá à CPMI. Trento já havia sido indiciado pela CPI da Pandemia em 2021.

Outras convocações e quebras de sigilo

A CPMI também aprovou a convocação de outras pessoas ligadas ao caso, incluindo:

Daniel Diran, advogado associado às entidades sob investigação;

João Camargo, dono da MKT Connection Group;

Rodrigo Rosolem Califoni, empresário do Grupo Total Health;

Igor Dias Delecrode, ex-presidente da AASAP.

Além disso, foram aprovados novos pedidos de RIFs do Coaf e quebras de sigilo de diversas federações de trabalhadores rurais de vários estados, incluindo a Fetaema, no Maranhão.

A data para o depoimento de Edson Araújo ainda será definida, mas sua convocação marca um dos movimentos mais significativos da CPMI desde o início das investigações.



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