O Ministério da Saúde recebeu parecer favorável, nesta sexta-feira (3), para a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) do medicamento que tem como princípio ativo o abemaciclibe, utilizado no tratamento do câncer de mama. A decisão partiu da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão responsável pela análise técnica de novas tecnologias e medicamentos no sistema público.

O abemaciclibe, produzido pela farmacêutica Lilly e comercializado com o nome Verzenios, é indicado para cerca de 30% dos casos de câncer de mama em estágio inicial, especialmente em pacientes com características que aumentam o risco de metástase. O medicamento também é eficaz em situações em que a doença já se espalhou para outras partes do corpo.
De acordo com as regras da Conitec, o parecer técnico leva em conta critérios como eficácia, segurança, custo-efetividade, necessidade clínica e impacto orçamentário para o SUS. O Ministério da Saúde tem agora um prazo de 15 dias para decidir oficialmente sobre a incorporação do medicamento, mas raramente o órgão contraria o parecer do colegiado.
Após a decisão final, o abemaciclibe deverá estar disponível na rede pública em até 180 dias. No entanto, entidades que representam pacientes com câncer alertam que, em alguns casos, medicamentos já aprovados demoram mais que o prazo regulamentar para chegar efetivamente às unidades de saúde.
O abemaciclibe é considerado uma terapia inovadora no tratamento do câncer de mama com receptores hormonais positivos e HER2 negativo, um subtipo da doença que afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos. O medicamento atua bloqueando proteínas que estimulam o crescimento das células tumorais, reduzindo as chances de recidiva e metástase.
O alto custo é um dos fatores que mais dificultam o acesso ao tratamento na rede privada. Os valores variam conforme a dosagem e o número de comprimidos. A caixa com 60 comprimidos de 200 mg custa cerca de R$ 25.600, enquanto a de 150 mg varia entre R$ 20.900 e R$ 22.900. Já as versões de 100 mg e 50 mg, com 30 comprimidos, custam aproximadamente R$ 7.600 e R$ 4.100, respectivamente. A medicação é vendida em farmácias especializadas em produtos oncológicos, como Sol Medicamentos, MundialFarma e Oncoexpress.
A decisão acontece no início do Outubro Rosa, campanha anual voltada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero. Durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, a ministra das Mulheres, Marcia Lopes, destacou a importância do SUS no cuidado integral à saúde feminina. “O Outubro Rosa simboliza vida, esperança e cuidado. E esse cuidado no Brasil tem nome, o Sistema Único de Saúde, o nosso SUS”, afirmou.






