O Maranhão registrou o menor rendimento médio mensal do trabalho entre todos os estados brasileiros, segundo dados preliminares do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor médio recebido pelos trabalhadores maranhenses é de R$ 1.855, bem abaixo da média nacional, que é de R$ 2.851.
O levantamento reforça as desigualdades regionais na remuneração do trabalho no país. Além do Maranhão, Piauí (R$ 1.905) e Bahia (R$ 1.944) também estão entre os estados com menores rendimentos, todos localizados na Região Nordeste.
Por outro lado, as maiores médias salariais foram registradas no Distrito Federal (R$ 4.715), São Paulo (R$ 3.460) e Santa Catarina (R$ 3.391) — estados e regiões onde há maior concentração de atividades econômicas com remuneração mais alta.
No recorte regional, Norte (R$ 2.238) e Nordeste (R$ 2.015) aparecem abaixo da média nacional, enquanto o Centro-Oeste (R$ 3.292) lidera com o maior rendimento do país, 16,7% acima da média. As regiões Sul (R$ 3.190) e Sudeste (R$ 3.154) também se mantêm em patamar elevado.
Os dados do Censo consideram pessoas com 14 anos ou mais que, entre 25 e 31 de julho de 2022, estavam ocupadas ou afastadas temporariamente de uma atividade remunerada. Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 1.212.
MAIS DE UM TERÇO GANHA ATÉ UM SALÁRIO MÍNIMO
Segundo o IBGE, 35,3% dos trabalhadores brasileiros recebem até um salário mínimo. Apenas 7,6% têm rendimentos superiores a cinco salários mínimos — o equivalente a R$ 6.060 em 2022.
Em comparação ao Censo de 2010, houve leve melhora na base da pirâmide: à época, 36,4% dos ocupados ganhavam até um salário mínimo e 9,6% recebiam acima de cinco salários.
A faixa mais comum hoje é a de mais de um até dois salários mínimos (entre R$ 1.212,01 e R$ 2.424), que abrange 32,7% da pOpulação ocupada.
A menor parcela é formada por trabalhadores com renda superior a 20 salários mínimos (R$ 24.240 ou mais), que representam apenas 0,7% do total.
DESIGUALDADE POR SEXO E RAÇA
As diferenças salariais também se refletem entre homens e mulheres, e entre grupos raciais. Em 2022, homens receberam rendimento médio mensal de R$ 3.115, valor 24,3% superior ao das mulheres, que ganharam R$ 2.506.
No recorte por cor ou raça, pessoas amarelas (R$ 5.942) e brancas (R$ 3.659) tiveram rendimentos acima da média nacional, enquanto pardos (R$ 2.186) e pretos (R$ 2.061) ficaram abaixo. Os indígenas registraram o menor rendimento médio do país, com R$ 1.683.
DESIGUALDADE DE RENDA
O Índice de Gini — que mede a concentração de renda — foi de 0,542 em 2022. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. As regiões Norte (0,545) e Nordeste (0,541) apresentaram os maiores índices, justamente onde os rendimentos médios são mais baixos.
A Região Sul teve o menor índice (0,476), indicando distribuição mais equilibrada, enquanto Sudeste (0,530) e Centro-Oeste (0,531) ficaram em patamar intermediário.
MARANHÃO TAMBÉM TEM UMA DAS MENORES TAXAS DE OCUPAÇÃO
O nível de ocupação — proporção de pessoas com 14 anos ou mais que estavam trabalhando — foi de 53,5% no Brasil, abaixo do registrado em 2010 (55,5%).
As regiões Sul (60,3%), Centro-Oeste (59,7%) e Sudeste (56%) tiveram os maiores índices. Já o Nordeste (45,6%) e o Norte (48,4%) ficaram abaixo da média.
O Maranhão figura novamente entre os piores resultados do país: apenas 43,6% das pessoas com 14 anos ou mais estavam ocupadas.
O estado aparece ao lado de Piauí (43%) e Paraíba (43,5%) como os que registraram os menores níveis de ocupação.






