As contas do governo federal acumularam um déficit primário de R$ 100,4 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30).

O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, quando o déficit somou R$ 108,7 bilhões (valores corrigidos pela inflação).
O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas com tributos e outras fontes, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Quando ocorre o contrário, há superávit primário.
Apesar da leve melhora, o resultado de 2025 ainda é considerado preocupante por economistas, que apontam que o excesso de gastos fora da meta fiscal pode comprometer a credibilidade das contas públicas.
RECEITAS E DESPESAS
De janeiro a setembro, a receita líquida (após transferências a estados e municípios) teve alta real de 3,5%, totalizando R$ 1,68 trilhão. Já as despesas totais somaram R$ 1,78 trilhão, com aumento real de 2,8% no mesmo período.
O resultado é o pior desempenho para o período desde 2022, quando o governo havia registrado um superávit de R$ 37,7 bilhões.
A meta fiscal de 2025 prevê zerar o déficit nas contas do governo, mas o resultado acumulado até setembro mostra que o objetivo está distante de ser atingido.
Pelas regras do novo arcabouço fiscal, o governo pode encerrar o ano com um déficit de até 0,25% do PIB, o equivalente a R$ 31 bilhões, sem descumprir formalmente a meta.
Além disso, podem ser excluídos do cálculo R$ 43,3 bilhões em precatórios, o que, na prática, permite um resultado negativo de até R$ 74,3 bilhões sem violar o limite fiscal. O Tesouro projeta um déficit de R$ 73,5 bilhões neste ano — praticamente no teto permitido.
A flexibilização das metas fiscais, no entanto, é alvo de críticas recorrentes de analistas, que apontam que o excesso de exceções enfraquece o compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
TESOURO REAGE A DECISÃO DO TCU
Questionado sobre a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que o governo busque o centro da meta nos próximos anos, sem se apoiar na banda de tolerância, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o momento é de diálogo com o tribunal.
“Caso a decisão do TCU valesse para 2025, não seria factível buscar o centro da meta, dado o adiantado do ano. Poderia implicar em um contingenciamento de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões. Não seria possível fazer isso sem criar um colapso na máquina pública”, disse Ceron.
Somente em setembro de 2025, o governo registrou um déficit de R$ 14,5 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2020 — quando, devido às despesas emergenciais da pandemia de Covid-19, o rombo chegou a R$ 104 bilhões.
Em setembro deste ano, a receita líquida cresceu 0,6% em termos reais, atingindo R$ 172,3 bilhões, impulsionada pela arrecadação recorde do IOF. Por outro lado, as despesas totais aumentaram 5,7%, somando R$ 186,8 bilhões.






