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O hacker Walter Delgatti Neto declarou nesta quarta-feira (10), em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, que a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) ordenou a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo ele, a parlamentar também pediu que fosse inserido um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Walter Delgatti (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

Delgatti está preso em São Paulo por esse crime e participou da reunião de forma virtual. Zambelli, que cumpre pena de dez anos de prisão na Itália e aguarda decisão sobre extradição, também participou por videoconferência. Além da pena, ela foi condenada pelo STF à perda do mandato, processo que ainda está em análise na CCJ antes de seguir para votação no Plenário.

O hacker disse ter conhecido Zambelli em 2022, quando ela o contratou para provar que o sistema do CNJ era vulnerável e, assim, colocar em dúvida a segurança da Justiça e das eleições no Brasil. Ele afirmou que recebeu apoio financeiro e promessa de emprego, mas se arrependeu quando a oferta não foi cumprida.

A deputada negou as acusações, chamou Delgatti de “mitomaníaco” e alegou que foi responsabilizada por mandados de soltura supostamente inseridos no sistema por robôs. Zambelli disse que responde por 16 documentos, incluindo a ordem falsa contra Moraes e outros relacionados a integrantes de facções criminosas, o que resultou na condenação.

O hacker rebateu as negativas e afirmou que provas poderiam ser verificadas por meio de imagens de câmeras. Já o perito Michel Spiero, assistente técnico da defesa da deputada, disse que não foram encontrados registros de autoria de Zambelli no caso e que a investigação ignorou a falta de provas diretas contra ela.

O presidente da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), destacou que o processo é inédito, já que a comissão analisa pela primeira vez a cassação de um mandato após condenação definitiva, com a parlamentar presa no exterior.

Na reunião, parlamentares se dividiram: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) saiu em defesa de Zambelli, afirmando que ela não pode perder o mandato com base em acusações de alguém que “se contradiz”. Já Fernanda Melchionna (Psol-RS) criticou o processo como uma tentativa de impunidade, ressaltando que a CCJ não julga o crime novamente, mas apenas a cassação em razão da decisão já transitada em julgado.



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