O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse à Folha de S.Paulo, em entrevista publicada neste domingo (28), que votou “com dor no coração” contra o habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, que permitiria a prisão do então mandatário na operação Lava Jato. Apesar disso, Barroso afirmou não se arrepender da decisão e destacou sua “admiração e apreço” por Lula.

Na entrevista, o ministro explicou que seu voto seguiu a jurisprudência vigente na época, que permitia a execução da pena após condenação em segunda instância. “Aquele era um momento em que não havia as suspeições que vieram depois a ser levantadas sobre a Lava Jato. Portanto, eu apliquei, ao presidente Lula, com dor no coração, a jurisprudência que eu tinha ajudado a criar”, disse. Em janeiro de 2018, Lula havia sido condenado a 12 anos de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP).
O placar do STF na votação foi de 6 a 5 a favor da prisão, com Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia votando contra o habeas corpus. Dois dias depois, Lula foi preso em Curitiba, permanecendo detido por 1 ano e 7 meses até novembro de 2019, quando a jurisprudência foi alterada para que a prisão ocorra, em regra, apenas após o esgotamento de todos os recursos. Em março de 2021, a condenação de Lula foi anulada por decisão de Fachin, confirmada posteriormente pelo plenário do STF por 8 votos a 3, com Barroso favorável. Em junho de 2021, a Corte também declarou a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, decisão na qual Barroso votou contra.






