O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou neste domingo (10) que o plano para assumir o controle total da Faixa de Gaza será implementado “muito em breve”, começando pela tomada da Cidade de Gaza, considerada um dos últimos redutos do grupo terrorista Hamas.

Segundo Netanyahu, essa medida é a “melhor forma de acabar com a guerra e encerrá-la rapidamente”. A Cidade de Gaza é vista como uma barreira final para Israel conquistar o domínio completo da região.

Contudo, Netanyahu afirmou que o objetivo não é uma ocupação permanente do território, mas sim a transferência do controle para um governo civil independente, que não esteja alinhado nem com a Autoridade Palestina nem com o Hamas.

O premiê atribui a retomada da ofensiva militar à recusa do Hamas em aceitar os termos do cessar-fogo proposto em janeiro deste ano.

Sobre a grave crise humanitária na região, Netanyahu afirmou que Israel “gostaria” de ampliar a abertura de centros de distribuição de alimentos e corredores de ajuda, porém destacou que o acesso de jornalistas estrangeiros será restrito e dependerá de autorização explícita das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Atualmente, a fome entre os palestinos em Gaza está classificada na fase 5, a mais crítica, segundo a ONU.

A expansão da ofensiva israelense tem sido amplamente criticada por diversos países. O governo do Reino Unido classificou a decisão como “errada” e pediu uma reconsideração imediata.

A Dinamarca solicitou a “imediata reversão” da medida, enquanto a Alemanha suspendeu todas as exportações de equipamentos militares para Israel até novo aviso. China, Turquia, Jordânia e Países Baixos também manifestaram repúdio à ofensiva.

Em comunicado, o premiê britânico Keir Starmer alertou: “A decisão do governo israelense de intensificar ainda mais sua ofensiva em Gaza está errada. A crise humanitária piora a cada dia e os reféns mantidos pelo Hamas seguem em condições terríveis e desumanas. Precisamos de um cessar-fogo imediato”.

Volker Turk, chefe de Direitos Humanos da ONU, declarou que o novo plano israelense causará mais mortes e sofrimento, e pediu que seja “imediatamente interrompido”.

Ele ressaltou que a decisão contraria a determinação da Corte Internacional de Justiça, que exige o fim da ocupação israelense em Gaza o mais rápido possível.

Internamente, o plano provocou divisões. Famílias de reféns e grupos de israelenses protestaram em frente à sede do governo, exigindo a libertação imediata dos cerca de 50 reféns mantidos pelo Hamas, entre os quais estima-se que 20 estejam vivos. Na capital Tel Aviv, manifestantes foram dispersados pela polícia com balas de borracha e bombas de efeito moral.

Altos oficiais militares expressam preocupação com os riscos da nova ofensiva. O comandante das Forças Armadas, Eyal Zamir, manifestou oposição ao plano, destacando o perigo que a operação pode representar para a vida dos reféns e para a segurança das tropas israelenses, que já estão exaustas. Zamir teme que os soldados fiquem “presos” em Gaza devido à complexidade da ação.

A tensão gerou um atrito público entre Netanyahu e o comandante Zamir. A mídia local reporta que o filho do premiê teria acusado o general de tentar incitar um motim contra o governo, o que Zamir nega.

Em resposta, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército “cumprirá todas as diretrizes” definidas pelo governo, reforçando a autoridade civil sobre as Forças Armadas.


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