A presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada estadual Iracema Vale (PSB), falou nesta quarta-feira, 6, sobre a mudança no comando do PSB no estado. A parlamentar classificou como “triste” e “constrangedora” a condução da troca de liderança partidária, que retirou o controle da legenda do grupo do governador Carlos Brandão e o transferiu para a senadora Ana Paula Lobato.

Segundo Iracema, os deputados estaduais estão sendo forçados a aceitar uma nova direção com linha política divergente, sem que houvesse diálogo ou consulta prévia às lideranças locais. Para ela, o PSB caminha para trair a base que o fortaleceu no estado.
“Infelizmente, a gente está vendo a coisa caminhar para que o PSB traia todos os seus deputados aqui no Maranhão. Inclusive o deputado Duarte me ligou ontem e disse que também gostaria de sair do partido. Porém, assim como nós, ele terá que esperar a janela para isso”, declarou a deputada.
Iracema criticou duramente o que classificou como imposição da direção nacional e destacou que os parlamentares estaduais contribuíram de forma decisiva para o crescimento do partido no Maranhão.
“Nós não traímos o partido, nem a sua ideologia. Pelo contrário, ajudamos o PSB a crescer no Maranhão, ampliamos o número de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, fizemos movimentos partidários belíssimos. E agora estamos sendo obrigados a engolir uma direção que pensa diferente de nós.”
Ela também indicou que há grande possibilidade de debandada no PSB assim que abrir a janela partidária — período legal para troca de legenda sem risco de perda de mandato. Iracema afirmou que não aceita a ideia de ser oposição dentro de um governo do qual faz parte e voltou a defender coerência e alinhamento político.
“Eu nunca fui de ficar em cima do muro. Sempre tive lado, sempre tive postura política. Não entendo e não aceito ser oposição governista. Não sou de fazer joguinho. O povo do Maranhão sabe quem eu sou. Se eu estiver fora, todo mundo vai saber o porquê.”
A deputada também não descartou até mesmo uma possível expulsão da legenda, o que, segundo ela, liberaria os parlamentares da base para buscar um novo rumo político.
“Se o partido quiser, pode nos expulsar. E aí, estaremos livres para seguir com nosso grupo. É quase certo que caminharemos com quem sempre caminhou com a gente. Se o PSB não tiver alinhamento com nosso grupo político, nós não estaremos lá.”
