A Justiça do Maranhão decidiu manter a prisão preventiva do prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), acusado de assassinar o policial militar Geidson Thiago da Silva durante uma vaquejada no município de Trizidela do Vale, em julho deste ano.

A decisão foi publicada nesta quarta-feira (27) pelo juiz Luiz Emilio Braúna Bittencourt Júnior, titular da 2ª Vara da Comarca de Pedreiras. João Vitor está preso desde o dia 15 de julho, quando se entregou voluntariamente à Polícia Civil em São Luís.

A defesa do prefeito havia solicitado a revogação da prisão, argumentando que ele é réu primário, possui residência fixa, bons antecedentes e está licenciado do cargo por 120 dias. Para os advogados, não havia risco à ordem pública. No entanto, o pedido foi negado.

O magistrado considerou que a gravidade do crime, cujas circunstâncias estão detalhadas no inquérito policial, justifica a manutenção da prisão. Ele destacou ainda que os bons antecedentes não eliminam os demais elementos que indicam a necessidade da medida cautelar. O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) também se posicionou contra a soltura.

O juiz também determinou a retirada de postagens apresentadas pela defesa, por entender que não têm relação direta com o caso e podem violar a dignidade da vítima.

A decisão tem como base a Lei 14.245/2021, conhecida como Lei Mariana Ferrer, que visa proteger vítimas de crimes contra a dignidade sexual e familiares de vítimas de violência de ataques difamatórios durante processos judiciais.

As partes já foram intimadas da decisão, e o Ministério Público tem cinco dias para se manifestar sobre o pedido de habilitação de assistente de acusação feito pela família do policial.

O CASO

O crime aconteceu durante uma vaquejada em Trizidela do Vale, quando uma discussão entre o prefeito e o policial militar Geidson Thiago da Silva teria se iniciado após o PM, que estava de folga, pedir para João Vitor reduzir a intensidade dos faróis do carro, que estariam incomodando outras pessoas no local.

Testemunhas afirmam que houve uma troca de palavras, e João Vitor teria sacado uma arma e disparado contra o policial. Segundo a Polícia Civil do Maranhão, os tiros atingiram Geidson pelas costas. Ele chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento.

Geidson era lotado no 19º Batalhão da Polícia Militar. Ele foi sepultado no dia 8 de julho. A morte gerou comoção e repercussão em todo o estado.

Investigações e prisão

Após o crime, João Vitor chegou a prestar depoimento na delegacia de Presidente Dutra no dia seguinte, mas não foi preso, já que não houve flagrante. A prisão preventiva foi decretada posteriormente, após pedido da Delegacia de Pedreiras, responsável pelo caso.

Segundo o inquérito da Polícia Civil, o prefeito foi indiciado por homicídio qualificado, e a investigação concluiu que ele foi o autor de todos os disparos que atingiram o policial. A arma utilizada no crime, um revólver calibre .38, ainda não foi localizada.

João Vitor alegou em depoimento que agiu em legítima defesa, dizendo que o policial havia sacado uma arma. No entanto, a Polícia afirma que não encontrou evidências que sustentem essa versão.

Além disso, imagens de câmeras de segurança mostram o prefeito se aproximando de um carro preto, pegando um objeto e, em seguida, se dirigindo a uma aglomeração de pessoas. Depois, ele retorna rapidamente ao veículo e foge do local.

O prefeito afirmou que a arma usada foi um presente de um eleitor e que não possuía registro nem autorização de posse. A polícia também destacou que nenhuma câmera de segurança mostra o prefeito descartando a arma no local do crime, como ele havia declarado.

João Vitor segue detido em uma cela individual, com cama e banheiro, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Maranhão (Seap).


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