O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enviou na quinta-feira, 28, um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo para exercer seu mandato a partir dos Estados Unidos. No documento, ele afirma que tem realizado “diplomacia parlamentar” no país e cita a pandemia de covid-19 como “precedente” para o exercício remoto do mandato.

Foto: Reprodução

“Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda”, escreveu Eduardo, em trecho do ofício publicado em seu perfil no X (antigo Twitter).

Eduardo está nos EUA desde o início de 2025. Em março, pediu licença do mandato na Câmara e anunciou que permaneceria no país, alegando que buscaria “sanções aos violadores dos direitos humanos”, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e outras autoridades alinhadas a ele.
Na quarta-feira (27), Eduardo participou à distância de uma subcomissão da Câmara, sem convite formal. Motta já havia rejeitado, em 7 de agosto, a ideia de “mandato à distância”. “Não há previsibilidade para exercício do mandato à distância. Não há previsão no regimento para isso”, disse o presidente da Câmara ao portal Metrópoles.

Em entrevista à revista Veja, quatro dias depois, Motta reforçou que não concorda com parlamentares que atuam para impor sanções ao próprio país. “Cada parlamentar tem autonomia e liberdade para agir pelo seu eleitorado, mas não posso concordar com atitudes que tragam danos à economia do País”, afirmou.

No dia 15, Motta encaminhou ao Conselho de Ética um processo de cassação contra Eduardo Bolsonaro. O presidente da Câmara também evitou comentar ameaças feitas pelo filho do ex-presidente, que afirmou em diversas ocasiões que Motta poderia entrar no radar de sanções caso não pautasse um projeto de lei de anistia aos réus dos supostos atos de 8 de janeiro.


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