Rastejando na areia molhada e na água rasa, como se estivessem em trincheiras reais, dezenas de crianças russas participaram de uma simulação militar na margem do rio Don, no sul da Rússia.

A atividade, que contou com gritos de incentivo e até o uso de réplicas do fuzil AK-47, é parte de uma tendência crescente no país: introduzir o treinamento em estilo militar já na infância.

Ao todo, 83 jovens, entre 8 e 17 anos, participaram do exercício organizado por cossacos na região de Rostov, próxima à fronteira com a Ucrânia.

Sob orientação de soldados que já combateram na guerra, os cadetes mirins enfrentaram corridas, rastejadas e simulações de combate.

Alguns usavam uniformes camuflados e empunhavam réplicas de brinquedo, enquanto outros chegaram a carregar armas de verdade.

Autoridades russas afirmam que a iniciativa busca fortalecer o patriotismo e a resiliência das novas gerações.

Já organizações independentes, como a ONG de direitos infantis “Ne Norma”, veem no movimento uma forma de doutrinação e propaganda.

O grupo alerta que ensinar crianças a manusear armas e até construir drones militares nas escolas pode normalizar a militarização precoce.

NEGOCIAÇÕES DE PAZ ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

Enquanto a militarização infantil avança no país, a diplomacia segue sem consenso sobre o fim da guerra.

De acordo com fontes ouvidas pela agência Reuters, o presidente russo, Vladimir Putin, condiciona um acordo de paz à anexação definitiva de toda a região do Donbas, no leste da Ucrânia, além de garantias de que o país vizinho não ingressará na Otan nem receberá tropas ocidentais.

As exigências contrastam com declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após encontro com Putin no Alasca, afirmou ter garantido que a Ucrânia manteria parte de seu território e que tropas ocidentais poderiam se instalar no país após o conflito.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já rejeitou abrir mão do Donbas, alegando que isso significaria permitir novas expansões territoriais russas em direção à Europa.

Atualmente, a Rússia controla cerca de 88% do Donbas e 73% das regiões de Zaporizhzhia e Kherson, segundo estimativas norte-americanas.


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