O relatório preliminar sobre o acidente aéreo com um avião da Air India, que resultou na morte de 260 pessoas em 12 de junho, revela que o fornecimento de combustível para os motores foi cortado 29 segundos antes do impacto com o solo.

A aeronave, um Boeing 787-8 Dreamliner, havia acabado de decolar do aeroporto de Ahmedabad, no oeste da Índia, com destino a Londres.

De acordo com o documento, os dois botões que controlam o fornecimento de combustível — um para cada motor — foram manualmente movidos da posição “executar” para “cortado”.

Esses botões, localizados no painel da cabine, possuem um sistema de trava de segurança, o que impede que sejam acionados acidentalmente. Para mudar sua posição, é necessário puxá-los e levantá-los deliberadamente.

Apesar de o relatório não afirmar diretamente, a investigação levanta a possibilidade de que um dos pilotos possa ter desligado o fornecimento de forma intencional.

O conteúdo da caixa preta mostra que, pouco após a decolagem, um dos tripulantes questiona: “Por que você cortou [o combustível]?” e o outro responde que não fez isso.

Ainda não se sabe quem fez a pergunta — se foi o comandante ou o copiloto — e tampouco a motivação para o corte no fornecimento.

O especialista americano em segurança da aviação, John Cox, afirmou que seria praticamente impossível acionar esses botões por acidente.

Linha do tempo do acidente:

– 13h38:39: A aeronave decola.

– 13h38:42: Botões de distribuição de combustível são desligados, e os motores começam a perder potência.

– 13h38:43 a 13h38:56: Diálogo entre os pilotos revela surpresa com o corte. A turbina de emergência (RAT) é acionada, e os botões são religados em sequência.

– 13h39:05: Um dos pilotos declara emergência: “Mayday, Mayday, Mayday”.

– 13h39:11: As gravações de dados e voz são interrompidas — indicando o momento da queda.

O relatório também descarta uma das suspeitas iniciais: a de que os flaps (dispositivos que auxiliam na sustentação durante a decolagem) não haviam sido estendidos.

A análise dos destroços confirmou que eles estavam em posição correta para o momento do voo.

Além disso, o combustível da aeronave foi testado e não apresentava problemas de qualidade.

Nenhuma recomendação técnica foi direcionada à Boeing nem à fabricante dos motores, o que reforça que o foco da investigação deve permanecer nas ações humanas durante os momentos críticos do voo.

O avião caiu após atingir apenas 198 metros de altitude. Na queda, atingiu um alojamento estudantil de uma faculdade de medicina localizado em uma área residencial. Vinte e nove pessoas que estavam no prédio morreram.

A bordo do voo estavam 242 pessoas, incluindo 169 passageiros indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense. Apenas um passageiro — com dupla nacionalidade indiana e britânica — sobreviveu.

Em resposta ao acidente, as autoridades da aviação indiana determinaram a inspeção de toda a frota de Boeing 787 Dreamliner da Air India, composta por 33 aeronaves.

Ainda não há previsão para a divulgação do relatório final da investigação.


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