Israel declarou neste domingo (6) que as alterações propostas pelo Hamas no acordo de cessar-fogo mediado pelo Catar são “inaceitáveis”.

A declaração foi feita pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mesmo após ambas as partes terem sinalizado positivamente para a proposta na semana passada.
“As mudanças que o Hamas está tentando fazer na proposta do Catar nos foram transmitidas na noite passada e são inaceitáveis para Israel. Diante da avaliação da situação, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu determinou que o convite para as conversas indiretas seja aceito e que os contatos para a devolução de nossos reféns – com base na proposta do Catar à qual Israel já concordou – sejam mantidos”, diz o comunicado oficial.
A nova rodada de negociações, que começou neste domingo em Doha, será conduzida de forma indireta entre as delegações de Israel e do Hamas.
O objetivo é chegar a um novo acordo de trégua na guerra na Faixa de Gaza, que já se estende por 21 meses e resultou em milhares de mortos e uma crise humanitária sem precedentes.
A delegação do Hamas, liderada por Khalil al Hayya, já está no Catar, enquanto os representantes israelenses chegaram neste domingo, no horário de Brasília.
A mediação continua sendo conduzida por Catar, Egito e Estados Unidos, estes últimos representados diretamente pelo presidente Donald Trump, que receberá Netanyahu na Casa Branca nesta segunda-feira (7).
Trump declarou acreditar que um acordo “poderá ser alcançado na próxima semana”.
PROPOSTA EM DEBATE
Segundo fontes palestinas, a proposta em discussão prevê uma trégua de 60 dias.
Durante esse período, o Hamas libertaria 10 reféns israelenses vivos e devolveria os corpos de outros sequestrados, em troca da libertação de prisioneiros palestinos detidos em Israel.
Das 251 pessoas sequestradas no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, 49 continuam em cativeiro.
O Exército israelense afirma que 27 dessas vítimas já foram declaradas mortas.
O Hamas, no entanto, quer mudanças no texto, como garantias de que os combates não serão retomados durante as negociações, melhorias no cronograma de retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza e o retorno de operações humanitárias da ONU e de outras organizações internacionais no território palestino.
PRESSÃO POR ACORDO
Antes de partir para os Estados Unidos, Netanyahu se reuniu com o presidente israelense Isaac Herzog, que ressaltou a importância de avançar nas tratativas.
“O primeiro-ministro tem uma missão importante: avançar em um acordo para trazer todos os reféns para casa”, disse Herzog.
Em Tel Aviv, o Fórum das Famílias dos Reféns organizou, no sábado, uma nova manifestação para cobrar do governo israelense um “acordo global” que garanta a libertação de todos os sequestrados de uma só vez.
SITUAÇÃO EM GAZA
Enquanto as negociações avançam em Doha, os ataques continuam na Faixa de Gaza. Neste domingo, a Defesa Civil local informou que ao menos 14 palestinos morreram em bombardeios israelenses.
Um dos ataques atingiu uma residência no bairro de Sheikh Radwan, em Gaza City. Moradores retiraram corpos dos escombros. O hospital Al Shifa recebeu ao menos 10 corpos.
O Exército israelense, ao ser questionado sobre os ataques, informou que não poderia comentar sem coordenadas exatas dos alvos.
Restrições à imprensa e o bloqueio de áreas do conflito dificultam a verificação independente das informações pelas agências de notícias.
BALANÇO DA GUERRA
A guerra entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, após um ataque do grupo palestino que matou 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, e resultou no sequestro de cerca de 250 pessoas levadas para Gaza.
Desde então, segundo o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas — cujos dados são considerados confiáveis pela ONU —, mais de 57.400 palestinos morreram na ofensiva israelense, a maioria mulheres e crianças.
A guerra também provocou uma grave crise humanitária na região, com a destruição de infraestruturas, escassez de alimentos, água potável e assistência médica.
Apesar de duas tréguas anteriores — uma em novembro de 2023 e outra no início de 2025 — o conflito continua, e a pressão internacional por um cessar-fogo definitivo segue crescendo.
