O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,24% em junho, conforme divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com esse resultado, o IPCA acumula alta de 5,35% nos últimos 12 meses, ultrapassando pelo sexto mês consecutivo o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que configura descumprimento formal da meta, segundo a nova sistemática vigente desde janeiro.

A regra atual prevê que, caso a inflação oficial permaneça fora do intervalo de tolerância da meta por seis meses consecutivos, o Banco Central deve emitir uma carta explicativa ao Ministério da Fazenda.

A meta central de inflação é de 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, o IPCA deve variar entre 1,5% e 4,5%. Desde janeiro, porém, o índice anualizado está acima do teto de 4,5%.

Dessa forma, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, terá que encaminhar uma nova carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificando as causas do desvio e apontando as medidas corretivas a serem adotadas pela autoridade monetária.

O maior impacto individual na inflação de junho veio da energia elétrica residencial, que teve alta de 2,96% e sozinha contribuiu com 0,12 ponto percentual (p.p.) no índice do mês.

A conta de luz foi pressionada pela adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que adiciona R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos. Com isso, a energia acumula alta de 6,93% no primeiro semestre.

Além disso, houve reajustes nas tarifas de energia em capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro, ampliando o impacto no grupo Habitação, que subiu 0,99% e contribuiu com 0,15 p.p. para o IPCA de junho. Também houve alta na taxa de água e esgoto (0,59%).

ALIMENTOS RECUAM E AJUDAM A CONTER INFLAÇÃO

Em contrapartida, o grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,18% em junho, a primeira após nove meses seguidos de alta.

Essa retração contribuiu com -0,04 p.p. no índice geral e foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que caiu 0,43%.

Itens como ovo de galinha (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%) registraram baixas relevantes.

A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de 0,58% em maio para 0,46% em junho. A refeição caiu para 0,41% e o lanche subiu levemente para 0,58%.

A queda no grupo refletiu no índice de difusão — que mede a proporção de itens com variação positiva — que passou de 60% em maio para 54% em junho. No segmento alimentício, caiu de 60% para 46%, o menor percentual desde julho de 2024.

TRANSPORTES SOBEM COM APLICATIVOS E CONSERTO DE VEÍCULOS

O grupo Transportes voltou a subir em junho, com variação de 0,27% após queda de 0,37% em maio, contribuindo com 0,05 p.p. no IPCA do mês.

Apesar da queda nos combustíveis (-0,42%), houve alta expressiva no transporte por aplicativo (13,77%) e no conserto de automóveis (1,03%).

O grupo Vestuário subiu 0,75%, com destaque para roupa masculina (1,03%), calçados e acessórios (0,92%) e roupa feminina (0,44%). No total, o grupo contribuiu com 0,04 p.p. no índice do mês.

Veja o resultado de todos os grupos em junho:

  • Habitação: 0,99%
  • Artigos de residência: 0,08%
  • Vestuário: 0,75%
  • Transportes: 0,27%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,07%
  • Despesas pessoais: 0,23%
  • Educação: 0,00%
  • Comunicação: 0,11%
  • Alimentação e bebidas: -0,18%

GRUPOS QUE MAIS PESARAM NO IPCA

O grupo Alimentação e bebidas foi o de maior peso no IPCA acumulado em 12 meses, com variação de 6,66% e impacto de 1,44 p.p.

Outros grupos com alta expressiva foram Educação (6,21%), Despesas pessoais (5,81%) e Habitação (5,30%).

Veja a variação acumulada em 12 meses:

  • Alimentação e bebidas: 6,66%
  • Educação: 6,21%
  • Despesas pessoais: 5,81%
  • Habitação: 5,30%
  • Saúde e cuidados pessoais: 5,16%
  • Transportes: 5,11%
  • Vestuário: 4,68%
  • Artigos de residência: 2,66%
  • Comunicação: 2,16%

Entre os 377 subitens que compõem o IPCA, os maiores vilões da inflação acumulada foram:

  • Carnes: 0,55 p.p. (alta de 23,63%)
  • Gasolina: 0,34 p.p. (alta de 6,60%)
  • Café: 0,32 p.p. (alta de 77,88%)
  • Cursos regulares: 0,29 p.p. (alta de 6,50%)
  • Plano de saúde: 0,28 p.p. (alta de 7,03%)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos e é usado como referência para o reajuste do salário mínimo, subiu 0,23% em junho. Em maio, havia registrado alta de 0,35%. No acumulado de 12 meses até junho, o índice chegou a 5,18%.


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