O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (8) que o Brasil não pode se basear apenas nas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conduzir as negociações do acordo bilateral entre os dois países.

Segundo ele, as falas de Trump apresentam um “grau de incerteza” que precisa ser analisado com cautela.

“Tem um grau de incerteza nas falas que precisam ser avaliadas com o tempo. Os prazos estão sendo prorrogados, têm muitas idas e vindas, nós temos que aguardar”, disse Haddad, em entrevista à imprensa na entrada do Ministério da Fazenda.

O ministro ressaltou que uma equipe do governo brasileiro, sob coordenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está trabalhando tecnicamente junto ao governo norte-americano.

“Estamos focando no trabalho técnico feito por eles, porque se considerar tudo que está sendo dito, nós vamos nos perder num discurso que pode não conduzir para o melhor resultado para os dois países”, afirmou.

As declarações de Haddad ocorrem em meio à crescente tensão provocada por Trump, que tem adotado um tom mais agressivo nas relações comerciais internacionais.

No último domingo (6), o presidente norte-americano anunciou em sua rede social uma tarifa de 10% contra “qualquer país que se alinhar a políticas antiamericanas do Brics”, sem esclarecer quais seriam essas políticas ou os países afetados.

A declaração foi feita durante a realização da 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, que reuniu líderes de países do bloco e de nações parceiras.

No dia seguinte, o presidente Lula reagiu afirmando que o Brics “não nasceu para afrontar ninguém” e que “não é correto” o tom da declaração de Trump.

IOF E METAS FISCAIS

Durante a entrevista, Haddad também comentou sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu decretos relacionados ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), medida que havia sido derrubada pelo Congresso.

O ministro reiterou que considera a decisão do Supremo positiva para o país e disse que a equipe econômica está preparando documentos técnicos para justificar a estratégia adotada pelo governo, com foco na prevenção de evasão fiscal.

“Nós atingimos patamares absurdos: R$ 800 bilhões estão favorecendo determinados grupos econômicos do empresariado nacional”, criticou Haddad.

“Toda vez que você favorece um grupo econômico, você compromete as metas fiscais, a taxa de juros fica alta, prejudica o país inteiro. Qual é o sentido?”, questionou.


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