O avanço do comércio eletrônico e dos meios digitais de pagamento, como o Pix, tem impulsionado o consumo no Brasil, mas também abriu caminho para um crescimento das fraudes online. Entre janeiro e maio de 2025, quase metade das denúncias registradas na plataforma SOS Golpe estavam relacionadas a compras digitais. Os dados fazem parte do estudo “Mapa de Fraudes em Compras Digitais no Brasil”, elaborado pela CloudWalk em parceria com a Silverguard.

Com base em mais de 5 mil denúncias, o relatório mostra que o golpe mais recorrente é o da “loja ou empresa pouco conhecida”, responsável por 15,8% dos casos. O prejuízo médio nesse tipo de fraude é de R$ 740 por vítima. A armadilha geralmente começa com anúncios atrativos em redes sociais, que levam o consumidor a um site aparentemente legítimo. Após o pagamento, o produto nunca é entregue e a empresa desaparece da internet.
Em seguida, aparece o golpe da “empresa clonada”, com 8,5% das ocorrências e perda média de R$ 520. Já o “golpe do vendedor de itens usados”, comum em plataformas de classificados, apresenta um prejuízo médio de R$ 1.810. A maior média de perdas está no golpe do “vendedor intermediário”, que causa um rombo de R$ 3.780 por vítima.
O estudo também revela os estados mais afetados. O Distrito Federal lidera em número de ocorrências, seguido por Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em termos de valor médio perdido, Rondônia, Tocantins e Mato Grosso ocupam as primeiras posições, com perdas superiores a R$ 2 mil por vítima.
O WhatsApp é o principal canal utilizado pelos golpistas, estando presente em 54% dos casos. Segundo Marcia Netto, CEO da Silverguard, a maior parte das fraudes tem origem no território nacional. “Cerca de 98% das denúncias que recebemos envolvem golpistas brasileiros”, afirmou durante o 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado em São Paulo.
Apesar da origem majoritariamente nacional, especialistas alertam para a crescente internacionalização das fraudes digitais, impulsionada pelo uso de inteligência artificial. Ferramentas como o ChatGPT estão sendo utilizadas por criminosos para criar lojas falsas, manipular imagens (deepfakes) e aplicar golpes em escala maior. Por outro lado, a mesma tecnologia também vem sendo adotada por instituições financeiras no desenvolvimento de sistemas avançados de detecção de fraudes.
O relatório também aponta uma crescente profissionalização das quadrilhas, com uso intensivo de “CNPJs de laranjas”. O número de fraudes envolvendo empresas de fachada dobrou em um ano, saltando de 34% para 67%. Essas empresas fictícias servem para conferir aparente legitimidade às operações fraudulentas e dificultar a rastreabilidade dos golpistas.






