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Uma expedição científica da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) confirmou a presença do peixe-leão, uma espécie invasora, venenosa e sem predadores naturais, no Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís.

O animal representa uma séria ameaça ao equilíbrio ecológico da região, considerada uma das mais ricas em biodiversidade marinha do país.

O Parcel de Manuel Luís é o primeiro parque estadual marinho do Brasil e o único na costa norte do país.

De difícil acesso, a área só pode ser explorada de forma segura durante uma janela natural que vai de janeiro a junho, quando os ventos são mais amenos.

O nome do local é uma homenagem ao pescador Manuel Luís, o primeiro a identificar esse extenso banco de corais na costa maranhense.

Durante os quatro dias da expedição, realizada com apoio do navio da UFMA, os pesquisadores coletaram amostras de água em diferentes profundidades, utilizando equipamentos como a rosette, que permite a análise de propriedades físico-químicas da água, como temperatura, salinidade e níveis de oxigênio. As amostras serão analisadas em laboratório.

O achado mais alarmante, no entanto, foi a detecção do peixe-leão no ecossistema do parque.

Originário do Oceano Pacífico, o animal é conhecido por sua rápida capacidade de reprodução e pelos impactos severos que causa à biodiversidade local, competindo com espécies nativas e afetando toda a cadeia alimentar.

Esta foi a segunda expedição da UFMA ao Parque do Parcel de Manuel Luís, promovida pelos pesquisadores do Departamento de Oceanografia e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UFMA). Segundo os cientistas, essa foi a missão com maior volume de dados coletados até o momento.

Uma das grandes preocupações é a preservação do conjunto de algas calcárias, fundamentais para o equilíbrio ecológico da região.

A descoberta será formalizada em um artigo científico e comunicada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), que já foi alertada sobre os riscos ecológicos da espécie invasora.

Segundo a SEMA, está em andamento a elaboração de um termo de referência para contratação de uma consultoria especializada, que deverá acompanhar e monitorar a presença de espécies bioinvasoras no Parque.

Além da presença do peixe-leão, o Parcel de Manuel Luís vem sendo descrito como um verdadeiro cemitério de navios, com ao menos quatro embarcações naufragadas já identificadas na região.

Esses naufrágios também fazem parte dos estudos conduzidos pelos pesquisadores, que buscam compreender a relação entre essas estruturas, a biodiversidade e os fluxos oceânicos do entorno.



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