A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) na Itália, após ter seu nome incluído na lista vermelha de procurados da Interpol. A inclusão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Com a medida, Zambelli passou a ser procurada em 196 países.

A prisão foi autorizada após a parlamentar anunciar que havia deixado o Brasil. Moraes considerou que havia uma intenção clara de fugir das consequências legais impostas por decisões judiciais. Em sua decisão, o ministro afirmou que a viagem à Europa demonstrava “inequívoca” tentativa de se furtar à aplicação da lei penal, especialmente diante da iminente análise de embargos de declaração e possível perda do mandato parlamentar.
Condenada em maio pela Primeira Turma do STF, Zambelli foi considerada culpada pelos crimes de invasão a dispositivo informático e falsidade ideológica. Ela foi denunciada por envolvimento na inserção de documentos falsos no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti, que também foi condenado a mais de oito anos de prisão. Entre os documentos falsificados estavam um mandado de prisão contra Moraes e uma suposta ordem de quebra de sigilo bancário do próprio ministro.
Além dessa condenação, a deputada ainda é ré em outra ação penal, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionada a um episódio em que perseguiu um homem armado nas ruas de São Paulo. A maioria dos ministros do STF já votou por sua condenação nesse caso, com pena estimada em cinco anos e três meses de prisão, além da perda do mandato. A conclusão do julgamento, no entanto, está suspensa após pedido de vista do ministro Nunes Marques.
Com a prisão no exterior, caberá agora ao plenário da Câmara dos Deputados decidir se mantém ou revoga a detenção da parlamentar.
