Começa neste domingo (6), no Rio de Janeiro, a Cúpula de Líderes do Brics, grupo formado por 11 países emergentes, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos integrantes como Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos.

O encontro reúne chefes de Estado, chanceleres e autoridades de alto nível para discutir temas estratégicos sob a presidência brasileira.
O Brics atua como um fórum político e diplomático voltado à cooperação econômica, social e tecnológica, com o objetivo de fortalecer a influência dos países do Sul Global na governança internacional.
Com mais de 100 reuniões preparatórias realizadas desde fevereiro, a cúpula será realizada nos dias 6 e 7 de julho, com forte esquema de segurança envolvendo 31 mil agentes, incluindo o apoio das Forças Armadas.
Apesar da presença de países envolvidos em conflitos, como Rússia e Irã, temas como a guerra na Ucrânia e os confrontos no Oriente Médio não estarão na pauta oficial.
Segundo o Itamaraty, essas questões poderão ser tratadas em reuniões bilaterais, mas não integrarão a agenda formal do evento.
Sob liderança do Brasil, os três temas prioritários definidos são: saúde, meio ambiente e inteligência artificial.
A expectativa é aprovar uma declaração final conjunta dos chefes de Estado, além de documentos específicos sobre cada uma dessas áreas, como resultado das discussões técnicas conduzidas ao longo do ano.
MEIO AMBIENTE: POSIÇÃO COMUM PARA A COP 30
Com a realização da COP 30 marcada para novembro, em Belém (PA), o governo brasileiro busca construir uma posição unificada entre os países do Brics para reforçar a atuação do bloco nas negociações climáticas globais.
O objetivo é alcançar um consenso em torno de metas como o limite do aquecimento global a 1,5ºC.
Ministros do Meio Ambiente dos países membros se reuniram em abril, em Brasília, para debater propostas conjuntas, que devem ser consolidadas em uma declaração voltada às mudanças climáticas e ao financiamento climático.
SAÚDE: FOCO EM DOENÇAS NEGLIGENCIADAS
No campo da saúde, o Brasil pretende liderar uma estratégia coordenada de combate a doenças negligenciadas, como malária, tuberculose, doença de Chagas e leishmaniose — enfermidades que afetam principalmente populações vulneráveis nos países em desenvolvimento.
Durante reunião ministerial no mês passado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que essa iniciativa será um dos principais legados do Brasil à frente do Brics.
A proposta inclui o fortalecimento da Rede de Pesquisa do Brics, com ênfase no desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias.
Além disso, a cooperação em saúde é vista como estratégica pelo governo brasileiro diante da saída da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) do país.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DADOS COMO RECURSO ESTRATÉGICO
A terceira prioridade do Brasil na cúpula é a construção de diretrizes para o uso ético e regulado da inteligência artificial.
O país defende que dados devem ser reconhecidos como ativos econômicos estratégicos, demandando uma governança internacional que respeite a soberania nacional, mas que estabeleça padrões mínimos de transparência e segurança.
Uma das propostas em discussão é que os países passem a ser remunerados pela geração de dados que alimentam sistemas de IA, em linha com os debates já em curso no Congresso Nacional sobre a regulamentação da tecnologia no Brasil.
Para garantir a segurança do evento, o governo federal autorizou o uso das Forças Armadas no apoio à operação, que contará com a participação de 31 mil agentes de diversas forças policiais e militares.
