Três das dez unidades de conservação mais populosas do Brasil estão localizadas no Maranhão, segundo dados do suplemento do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Juntas, elas concentram mais de 1,3 milhão de habitantes e colocam o estado entre os que mais abrigam pessoas em áreas de preservação ambiental.

As áreas de proteção ambiental da Baixada Maranhense, de Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças e das Reentrâncias Maranhenses figuram entre as mais habitadas do país.

A APA da Baixada Maranhense ocupa a segunda colocação nacional, com 583.882 moradores, seguida pela APA de Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças, em terceiro lugar, com 509.977 habitantes. Já a APA das Reentrâncias Maranhenses aparece na décima posição, com 240.498 moradores.

No total, o Maranhão possui 1.555.668 pessoas vivendo em unidades de conservação, o que representa cerca de 23% da população do estado — a segunda maior proporção do país, atrás apenas do Distrito Federal (39,16%).

Em números absolutos, o Maranhão ocupa também a segunda colocação nacional, atrás apenas de São Paulo (2,48 milhões de pessoas).

EM ÁREAS PROTEGIDAS

O levantamento identificou 11,8 milhões de pessoas (5,82% da população brasileira) vivendo em 1.138 unidades de conservação distribuídas por 1.375 municípios.

As unidades de conservação englobam diferentes categorias, como reservas biológicas, parques, florestas, reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental (APA).

No Brasil, quase toda essa população (99%) vive em áreas de uso sustentável, que permitem ocupação humana e atividades econômicas controladas, como acontece nas APAs.

Já as unidades de proteção integral, onde há maiores restrições à presença humana, abrigam cerca de 132 mil pessoas — entre elas, comunidades tradicionais como quilombolas e indígenas.

UNIDADES MAIS POPULOSAS DO PAÍS

Confira as dez unidades de conservação com maior número de habitantes no Brasil:

1. APA do Planalto Central (DF/GO) – 601.773

2. APA da Baixada Maranhense (MA) – 583.882

3. APA de Upaon-Açu / Miritiba / Alto Preguiças (MA) – 509.977

4. APA Sistema Cantareira (SP) – 495.859

5. APA Jundiaí (SP) – 449.143

6. APA Piracicaba Juqueri-Mirim Área II (SP) – 430.934

7. APA da Bacia do Rio São Bartolomeu (DF) – 360.760

8. APA Serra da Ibiapaba (CE) – 352.779

9. APA de Petrópolis (RJ) – 242.034

10. APA das Reentrâncias Maranhenses (MA) – 240.498

PERFIL POPULACIONAL E PRECARIEDADE

O Censo também revela que a população residente em unidades de conservação tem perfil racial mais indígena e negro do que a média nacional. Entre os moradores dessas áreas:

  • 51% se declaram pardos (ante 45% no Brasil);
  • 36% são brancos (ante 44%);
  • 12% são pretos (ante 10%);
  • 1% são indígenas (ante 0,8%);
  • 2% são quilombolas (ante 0,7%).

Além disso, 4,7 milhões de pessoas nas unidades de conservação vivem em condições precárias de infraestrutura, especialmente em relação ao abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

Isso representa 40,34% dos moradores dessas áreas, percentual bem acima da média nacional, de 27,28%.

As unidades de conservação são classificadas em dois tipos principais:

– Proteção integral: foco na preservação ambiental, com presença humana limitada (ex: parques, reservas biológicas, estações ecológicas);

– Uso sustentável: permitem presença humana e uso racional dos recursos naturais (ex: APAs, reservas extrativistas, florestas nacionais).

No Maranhão, destaca-se também a presença de moradores em áreas de proteção integral.

O Parque Estadual do Bacanga, por exemplo, abriga 31.887 pessoas, sendo a unidade de proteção integral mais populosa do país.

O país conta com 2.365 unidades de conservação, mas 52% delas (1.227 unidades) não possuem população residente, de acordo com o IBGE.


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